Imagem: adobestock.com

O mercado de petróleo ainda está obcecado pela promessa de vacinas contra o coronavírus e a esperança de que elas serão capazes de promover a retomada econômica.

Se você não ficou sabendo sobre o ataque terrorista no Iraque, pode ter perdido seu efeito nos preços do petróleo, mas a reação do mercado logo em seguida forneceu informações importantes às quais os investidores devem ficar atentos.

No tange à demanda, o mercado parece pouco preocupado com o que está acontecendo agora, apostando em um futuro melhor com as vacinas.

Além disso, no longo prazo, veremos mais previsões com a chegada do fim do ano, mas os investidores devem compreender as limitações desses prognósticos.

Apresentamos abaixo três eventos que ocorreram na semana passada no mercado petrolífero e que nos revelam informações preciosas sobre a atual dinâmica do setor:

1. Alta nos preços por causa de ataque terrorista no Iraque

Os preços dispararam brevemente com a notícia de um incidente no Iraque. Novas fontes informaram que as explosões terroristas deixaram dois poços em chamas no norte do Iraque. Entretanto, mais informações revelaram que o ataque ocorreu em um pequeno campo petrolífero em Kirkuk, que produz apenas 25.000 barris por dia (bpd) e que o incêndio não impactou a produção do campo.

Lição: a vida curta da reação expõe a importância do Iraque e da sua produção para o sentimento que vigora no mercado. Segundo maior produtor da Opep neste momento, o Iraque é um dos membros que vêm excedendo suas cotas no cartel. (De acordo com a Platts, o Iraque respeitou suas cotas em outubro e novembro, embora esteja produzindo abaixo da sua cota para compensar sua superprodução anterior. Faz sentido que o mercado se preocupe com distúrbios na produção iraquiana e tema pelo pior).

Ainda que faça sentido que o mercado se preocupe com esses fatores, essa notícia sobre o Iraque foi a primeira a gerar elevações de preço nos últimos tempos, desconsiderando as vacinas sobre o coronavírus.

O governo iraquiano em Bagdá atribuiu sua falta de adesão às cotas de produção na Opep à extração realizada no norte do país pelo governo regional do Curdistão, que pode escoá-la de forma independente.

Informações da Argus mostram que a produção do Curdistão manteve-se constante em 450.000 bpd, enquanto a produção no sul do Iraque flutuou. Um ataque mais amplo nos campos petrolíferos do norte do Iraque poderia exigir a interrupção de parte da produção e mesmo impactar a oferta petrolífera do país.

Mas esse não foi caso nesta semana, razão pela qual a disparada nos preços só durou até o esclarecimento maior da situação.

2. Desconexão entre o sentimento do mercado e os dados de demanda nos EUA

A demanda de gasolina e combustível de aviação está lenta nos EUA.

Os dados semanais da EIA, agência americana de informações energéticas, mostram um acúmulo nos estoques de gasolina na semana passada, e dados da GasBuddy indicam que o consumo do combustível no país registra queda nesta semana em comparação com a anterior. (Na semana passada, vimos uma demanda atipicamente elevada de gasolina por causa das viagens pós-feriado de Ação de Graças).

Se bem que as viagens aéreas nos EUA tenham atingido a máxima na semana passada desde o início dos bloqueios, o volume de deslocamentos foi o menor para o feriado de Thanksgiving desde 2008. O consumo de gasolina no país ao longo dessa data festiva foi o mais fraco em 20 anos, de acordo com a OPIS.

Lição: Esse não é um bom indicativo para as viagens de Natal. Contudo, o mercado petrolífero parece não se importar muito com a demanda nos EUA, pois, mesmo com a EIA registrando um acúmulo de 15,2 milhões de barris nos estoques de óleo bruto (11% acima da média de 5 anos para essa época do ano) e 4,2 milhões de barris nos estoques de gasolina (5% acima da média de 5 anos para esse período), os contratos futuros de WTI só se desvalorizaram 0,18% no dia.

Essa tem sido a característica dos preços do petróleo desde que a notícia da vacina chegou aos mercados. A questão é se esse otimismo relacionado aos imunizantes continuará em alta até que os dados de demanda correspondam às expectativas.

3. Previsões conflitantes para o petróleo

Em artigos recentes, escrevi sobre o controverso relatório de Perspectiva de Energia 2020 da BP, que defendia um cenário no qual o pico da demanda petrolífera havia sido atingido no ano passado. Os outros dois cenários apresentados não eram tão pessimistas com o consumo de petróleo, mas, mesmo assim, forneciam projeções de demanda deprimida. Eu argumentei que esses prognósticos deveriam ser interpretados com base na estratégia de longo prazo definida pela BP (NYSE:BP) de sair rapidamente de ativos fósseis.

Nesta semana, o Goldman Sachs apresentou uma previsão completamente diferente para o futuro do petróleo.

O Goldman considera que a demanda petrolífera subirá mesmo a transição cada vez maior para as energias renováveis. De acordo com o diretor de pesquisa em commodities do Goldman:

“Acreditamos que está começando um bull market estrutural não só no petróleo, mas em todo o completo de commodities”.

Lição: É possível que o objetivo dessa previsão seja respaldar as posições do Goldman Sachs em commodities, como o petróleo, mas a lição aqui para os investidores individuais é que, para cada previsão do fim do petróleo, sempre haverá outra que defenda sua continuidade, com argumentos igualmente sólidos e rigorosos.

Ao decidir sobre a seriedade ou não dessas projeções, é importante compreender as motivações que influenciam tais prognósticos e suas organizações, buscando entender o que está por trás delas.

O Goldman, por exemplo, não é otimista com a melhora da tecnologia de baterias, necessária para armazenar as energias renováveis por longos períodos, tampouco com a viabilidade dos veículos elétricos. A BP, por outro lado, é muito otimista com a adoção de veículos elétricos e baseia suas previsões em políticas de promoção dessas energias por diversos governos. As previsões devem ser vistas como indicativos de onde cada instituição está investindo recursos e esforços.

Fonte: Investing.com

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