Fábrica de refino de petróleo no Texas — Foto: Mark Felix/AFP

As notícias no mercado de petróleo andam devagar após a reunião da Opep+ na semana passada, mas os investidores devem ficar de olho em quatro questões importantes nesta semana.

1. A demanda ainda está dentro dos padrões sazonais

Apesar de os bloqueios econômicos terem virado de cabeça para baixo os mercados petrolíferos, a oferta e a demanda continuam seguindo tendências sazonais similares às apresentantes antes do coronavírus.

O consumo de petróleo é um bom exemplo disso. Uma forma de avaliar a demanda é acompanhar o uso do petróleo nos Estados Unidos. Janeiro é tradicionalmente um período de alta demanda, com as refinarias operando com capacidade máxima para produzir gasolina, outros combustíveis e derivados.

Até agora, 2021 parece demonstrar padrões similares de demanda naquele país.

2. Onda de frio atinge Europa e Ásia

Uma onda de frio intenso atingiu a Ásia e a Europa e está provocando uma alta nos preços do gás natural, principalmente do GNL. A dificuldade em obter gás suficiente para calefação e energia está forçando as centrais elétricas da Ásia a usar carvão e óleo combustível para compensar essa falta.

Isso inclusive está fazendo os preços do gás natural subirem nos EUA. Além disso, as previsões climáticas mostram que o Meio-Oeste americano em breve pode ser atingido por um vórtice polar com temperaturas frias capazes de afetar a região do meio Atlântico.

Os investidores devem se lembrar de que, em janeiro de 2018, esse mesmo evento climático atingiu a região Nordeste dos EUA provocando uma disparada nos preços do gás natural. Esse foi o resultado dos gargalos gerados pela insuficiente capacidade das tubulações para a região da Nova Inglaterra, impactando inclusive partes do Canadá.

As centrais elétricas foram forçadas a queimar carvão e óleo para produzir energia, além de importar gás natural liquefeito da Rússia. É pouco provável que essa situação volte a ocorrer no Meio-Oeste, pois a região não sofre com aquela mesma situação de gargalo, mas vale a pena ficar de olho nas ofertas de gás natural na Nova Inglaterra, principalmente agora que uma maior quantidade do produto está sendo liquefeita e remetida para o exterior.

3. Estoques de petróleo estão caindo ou não?

O relatório desta semana da EIA, agência de informações energéticas dos EUA, mostrou que os estoques de petróleo nos EUA tiveram uma queda de 3,2 milhões de barris na semana passada. Essa foi a quinta semana consecutiva de retiradas de estoques. Ao mesmo tempo, os estoques de gasolina e destilados cresceram. Isso é normal para esta época do ano.

Os preços inicialmente subiram com a notícia de queda nos estoques petrolíferos, mas em seguida corrigiram. Talvez o mercado tenha se dado conta da situação, em parte, devido à declaração do Secretário-Geral da Opep, Mohammad Barkindo, sobre o estado dos estoques globais de petróleo. Na quarta-feira, ele afirmou que os estoques tanto da OCDE quanto de fora do grupo estão em “níveis muito altos”.

Os estoques petrolíferos da OCDE estão 160 milhões de barris acima da média de cinco anos. Portanto, apesar da euforia temporária dos mercados com as quedas de estoques nos EUA, três milhões de barris representam apenas uma gota no oceano em comparação com a situação global.

A Arábia Saudita declarou que seu corte “surpresa” de 1 milhão de barris por dia (bpd) na produção, divulgado na reunião da Opep+ da semana passada, tinha como objetivo reduzir esses níveis extremamente elevados de petróleo armazenado. Os investidores devem ficar de olho no impacto concreto do corte de produção da Arábia Saudita nos estoques globais de petróleo.

4. Previsões para o mercado de petróleo em 2021 ainda estão confusas

As organizações, bancos e outras empresas participantes do mercado de petróleo parecem estar divididos em suas previsões de 2021.

De um lado, há quem acredite que o consumo de petróleo neste ano não voltará aos níveis pré-pandemia. De outro, estão aqueles que acreditam na recuperação do mercado.

O Goldman Sachs declarou, nesta semana, que o barril de Brent pode atingir US$ 65 até meados do ano. A EIA, por sua vez, divulgou uma previsão mais sóbria de US$ 53 por barril como preço médio do Brent tanto em 2021 quanto 2022.

As previsões atuais da Opep se baseiam na ideia de que a demanda não voltará aos níveis de 2019 neste ano, mas o ministro do petróleo dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Mazroui, se mostrou mais otimista. Ele afirmou, na quarta-feira, que acredita que a demanda mundial de petróleo voltará aos patamares pré-pandemia até o fim de 2021 ou início de 2022.

Por outro lado, a Vitol, grande empresa de negociação de petróleo, disse acreditar que a fraqueza das viagens aéreas e do consumo de combustível de aviação impedirá uma retomada vigorosa do consumo de petróleo neste ano.

De fato, as previsões da Vitol se mostraram bastante pessimistas e só consideram que a demanda de combustível de aviação na Ásia se recuperará no terceiro trimestre deste ano.

É possível, entretanto, que a fraqueza no consumo de combustível de aviação não impeça uma recuperação geral da demanda petrolífera tanto quanto se teme. Isso porque as refinarias americanas estão produzindo menos desse combustível por barril de petróleo bruto. Elas estão inclusive mudando sua infraestrutura para produzir combustível com baixo teor de enxofre para embarcações, que apresentam maior demanda no momento.

Portanto, apesar de as viagens aéreas serem um indicador importante da demanda geral de petróleo, podem não ter tanta relevância quanto tinham.

Algumas previsões consideram que só haverá uma alteração significativa na oferta lá pelo fim do ano.

Os investidores devem se lembrar de que a maioria das organizações, indivíduos e empresas faz essas previsões com interesses velados na direção dos preços do petróleo. Essas previsões devem ser interpretadas sem perder de vista esses interesses.

Fonte: Investing.com

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