Nos últimos seis meses, de acordo com dados da Escola Superior de Agricultura Luiz Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq) e do Centro de Estudos Avançados em Economia (Cepea), que mensuram periodicamente a precificação do etanol hidratado e anidro, o preço do primeiro subiu 45%.

A oscilação se deve, claramente, à elevação do preço da gasolina, mas, segundo Mário Campos Filho, presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), não impactou de forma negativa a demanda pelo produto. A razão é simples: quando o preço da gasolina começou a subir descontroladamente em plena entressafra da cana, o consumidor correu para os postos, e a opção óbvia passou a ser o etanol. Mas, como se tratava do período de entressafra da cana, em que não há produção do combustível, a alta foi obrigatória, conforme explica o dirigente do setor.

 “Se não acompanhássemos o preço, não teríamos produto para vender nos meses subsequentes. No período em que não estamos produzindo, vendemos apenas o que está em estoque. Entretanto, é preciso lembrar que precisamos vender durante 12 meses”, justifica.

Além disso, a alta do dólar faz com que os produtores privilegiem o açúcar, produto brasileiro desejado no mercado internacional, o que também afeta o preço do etanol. Mário diz que foi essa possibilidade, inclusive, que salvou as usinas de cana no ano passado.

Com a necessidade do isolamento social e a redução do consumo de combustível nas cidades brasileiras, os empresários tiveram que adequar a produção. E, embora o açúcar siga valorizado no exterior, segundo o presidente da Siamig, atualmente, mais de 50% da produção nacional de cana é destinada à fabricação de combustível, e nesta, iniciada em abril, o percentual será mantido. Isso fará com que revendedores e consumidores percebam uma queda nos preços nas usinas e bombas. “No período de safra, essa lógica do estoque deixa de existir – é produção nova todos os dias. E, com necessidade de fazer caixa, as empresas vão escoar a produção. Paralelo a isso, ainda não sabemos como o mercado de petróleo se comportará. Fato é que esperamos um pouco mais de estabilidade do câmbio para um controle maior dos preços.”

Dentro da revenda

Nunca se vendeu tanto etanol como nos últimos anos. De grande ou pequeno porte, os postos viram a competitividade do combustível de cana crescer na comparação com a gasolina, levando o consumidor a migar facilmente. Esses recordes de venda estiveram ameaçados por conta da forte oscilação de preços, mas, segundo o economista de formação Bráulio Chaves, dono do Posto Chaves, em Belo Horizonte, a queda registrada recentemente manteve o fôlego do etanol.

O declínio começou na penúltima semana de março, quando o preço caiu quase 5%, ajustando a alta verificada nas semanas anteriores (7%), num período de 15 dias. As expectativas para os próximos meses permanecem, contudo, nubladas. “As previsões econômicas mais incertas são as que dizem respeito ao câmbio e ao petróleo, e o preço do etanol está atrelado a ambos. É impossível, portanto, prever o que vai acontecer com o etanol, mas não tenho dúvida de que o preço vai acompanhar o diesel e a gasolina”, prevê Bráulio. As fortes oscilações, evidentemente, repercutem na pista, segundo relatos de revendedores, que têm convivido com frequentes reclamações de consumidores quanto ao preço.

Fato é que, prejudicadas pela política energética adotada em governos anteriores, as usinas mais recentemente viram sua situação melhorar em razão da alta no consumo de etanol. Que o oportunismo e a ganância não sejam variáveis nocivas neste já instável do mercado de combustíveis em 2021.

Fonte: Revista Minaspetro

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