(Imagem: REUTERS/Jose Roberto Gomes)

O Brasil vai deixar de esmagar de 2,5 milhões a 3 milhões de toneladas de soja nos 60 dias em que vigorará a medida do governo federal que reduziu de 13% para 10% a mistura obrigatória de biodiesel no diesel. Determinada na semana passada pelo Ministério de Minas e Energia, a mudança da composição do combustível vale para maio e junho.

Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Biocombustível do Brasil (Aprobio), Erasmo Battistella, a redução do esmagamento da oleaginosa causará prejuízo ao setor e também impactará em cheio os segmentos de produção de aves, ovos, suínos, bovinos de corte e de leite, dependentes do farelo de soja para alimentação dos animais. “É evidente que a diminuição na produção vai tornar o farelo mais caro e haverá reflexo em toda a cadeia econômica nacional”, prevê.

Batistella afirma que a medida adotada pelo governo é “pouco inteligente”, pois auxilia o mercado de distribuição e revenda de combustíveis, mas penaliza as empresas produtoras de biocombustível e seus fornecedores de matéria-prima, a maioria da agricultura familiar. O dirigente, que também é superintendente da empresa gaúcha BSBIOS, de Passo Fundo, não descarta demissões na indústria, que deixa de produzir entre 250 milhões e 300 milhões de litros de biocombustível enquanto vigorar a redução.

Em nota conjunta, a Aprobio, a Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove) e a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) reagiram à decisão e pediram a retomada de um leilão, suspenso no dia 6 de abril, com redução do índice de mistura para 12%. “As entidades consideram esta ação lamentável (…), colocando o mercado num cenário de total incerteza, prejudicando uma ampla cadeia que emprega mais de 1,5 milhão de pessoas e que já investiu R$ 9 bilhões no país”, diz o manifesto.

Autor/Veículo: Correio do Povo

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