Apesar de menor moagem, lucro da Raízen mais que dobra no 2º trimestre da safra

A Raízen, gigante do setor de açúcar, energia renovável e distribuição de combustíveis, informou que seu lucro líquido ajustado mais que dobrou no segundo trimestre do ano-safra 2021/22 comparado ao mesmo período do ano passado, atingindo R$ 1,07 bilhão.

A comparação é em base pró-forma, na qual os resultados da Biosev entre julho e setembro do ano passado não tiveram os ajustes e eliminações entre negócios considerados em igual período de 2021. Com isso, a companhia passou a contabilizar os ativos da Biosev, cuja aquisição foi concluída em agosto.

Além disso, a Raízen reportou um resultado operacional recorde. “Com o início do processo de integração da Biosev a partir deste trimestre, aumentamos nossa capacidade de atender o mercado com maior escala, soluções integradas, competitivas, sustentáveis”, disse o CEO da companhia, Ricardo Mussa, em nota.

O resultado operacional medido pelo Ebitda ajustado (pró-forma, incluindo Biosev e devidos ajustes) somou R$ 3,3 bilhões, alta de 19,5% na comparação anual.

A integração de ativos da Biosev consolida a Raízen, joint venture da Cosan com a Shell, como o maior produtor mundial de cana-de-açúcar e de produtos como etanol e açúcar a partir desta matéria-prima, com a companhia passando a contar com 35 parques de bioenergia e capacidade de processamento por safra de 105 milhões de toneladas.

Também na noite de quinta-feira, a companhia informou o guidance de moagem da Raízen, incluindo Biosev, que deverá ficar entre 76 milhões e 77 milhões de toneladas de açúcar na temporada 2021/22, distante da capacidade total em meio a problemas climáticos como seca e geadas no Centro-Sul.

A moagem estimada se compara a uma safra anterior fechada (sem Biosev) de 61,5 milhões de toneladas.

Para o ano-safra, a Raízen ainda prevê um Ebitda ajustado entre R$ 10 bilhões e R$ 11 bilhões, além de investimentos de até R$ 7,55 bilhões, sendo que a operação agroindustrial receberá aportes de até R$ 5,55 bilhões.

O Ebitda ajustado de renováveis foi previsto em até R$ 4,4 bilhões, enquanto o de açúcar em até R$ 2,6 bilhões.

A alavancagem da Raízen atingiu 1,5 vez (relação entre a dívida líquida e o Ebitda dos últimos 12 meses) versus 3,2 vez no mesmo período do ano passado, reflexo principalmente da entrada dos recursos do IPO compensado pela saída de caixa referente a aquisição da Biosev.

Queda na moagem

A Raízen destacou que o segundo trimestre da safra segue impactado de maneira significativa por questões climáticas. “Além da maior seca dos últimos 90 anos, alguns focos de queimadas e as geadas afetaram a produtividade dos canaviais na região Centro-Sul do país”, afirmou.

Os parques de bioenergia da Raízen processaram 37,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar (-5%) no trimestre, encerrando os seis primeiros meses da safra com 68,5 milhões de toneladas de cana moída, 6% abaixo do mesmo período do ano passado.

Combustíveis

Na chamada área de marketing e serviços, a Raízen informou Ebitda ajustado de R$ 917 milhões no trimestre, alta de 1% na comparação anual, com os volumes de combustíveis vendidos em patamar recorde, em especial no Brasil, com crescimento de 15% ante o mesmo período de 2020.

“A demanda no ciclo Otto segue acelerada com a retomada da circulação de pessoas nos grandes centros em razão da melhora dos números da pandemia”, afirmou a empresa.

No diesel, o crescimento da demanda tem sido “ainda mais significativo, alavancada por alguns setores da economia como o agronegócio e o de transporte de cargas e passageiros”.

Na comparação com o primeiro trimestre, a redução do Ebitda ajustado (-5%) reflete o cenário de preços de combustíveis no Brasil com menos volatilidade, “reduzindo os ganhos oriundos da estratégia de suprimentos e comercialização neste trimestre”.

No etanol, disse a Raízen, a queda no volume do combustível próprio vendido (-8%) foi mais do que compensada por maiores preços de venda. O preço médio atingiu R$ 3.664 /m³, 63% acima do mesmo período do ano anterior, beneficiando-se do cenário mais atrativo para o biocombustível nos mercados doméstico e externo.

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