Atual Política Energética dos EUA Pode Pressionar Alta do Petróleo até 2025

Os últimos dados da secretaria de estatísticas do mercado de trabalho dos EUA mostraram que os preços da gasolina aumentaram 6,1% de setembro a outubro e acumulam alta de 50% no ano.

O governo Biden está ciente da alta dos custos de energia no país, mas até agora não deu qualquer sinal de que enfrentará os preços mais elevados de forma construtiva. De fato, a Casa Branca até agora não deu qualquer indicação do que fará de efetivo para reduzir os preços de energia no país nos três anos que ainda restam para o atual mandato presidencial.

Para os investidores é importante compreender que o histórico deste governo mostra que ele deve contribuir para os preços mais elevados, pelo menos até janeiro de 2025. Isso não significa que o petróleo e outros preços de energia necessariamente subirão, porque não há outros fatores envolvidos.

WTI semanal

No entanto, ao que tudo indica, esse fator continuará exercendo pressão altista sobre os preços.

Antes mesmo da eleição de 2020 e da posse presidencial, todos os sinais apontavam que uma vitória dos democratas – e, em especial, da administração Biden – daria força para a cotação do barril de petróleo. Quase que imediatamente após o início do novo governo, em janeiro de 2021, a Casa Branca passou a adotar uma política que mostrava toda a sua disposição em restringir a produção de óleo e gás nos EUA.

As primeiras decisões, como o cancelamento do oleoduto Keystone XL e o adiamento de novas concessões para perfuração em território federal onshore e offshore, foram levadas a sério pela indústria americana de óleo e gás. E isso tem ficado patente nas pesquisas conduzidas pelo Fed de Dallas desde março de 2021.

Ocorre que a situação da produção energética nos EUA está pior do que muitos analistas haviam previsto e pode piorar ainda mais. O barril de WTI, que serve de referência nos EUA, atingiu seu preço mais alto desde 2014, mas as perfurações não estão subindo na velocidade que muitos esperavam, inclusive a EIA, agência de informações energéticas do país. De acordo com a última pesquisa semanal da EIA, a produção petrolífera nos EUA permaneceu estável em 11,5 milhões de barris por dia (mbpd), o que reflete um aumento de apenas 1 mbpd em relação ao mesmo período do ano passado e uma queda de 1,6 mbpd em comparação com os níveis pré-pandemia.

Ao mesmo tempo, o que vimos foi que a demanda mundial por petróleo recuperou-se e voltou aos níveis pré-pandêmicos de cerca de 100 mbpd. Esse desequilíbrio, em conjunto com a alta da inflação e a especulação de mercado, explica por que os consumidores americanos estão vendo os preços mais altos de energia e gasolina em anos.

Pouca compreensão sobre a indústria e forças globais em jogo

Não se sabe ao certo qual rumo tomarão as políticas energéticas do governo Biden, mas tudo leva a crer que não serão positivas para a produção e transporte de hidrocarbonetos.

Depois de cancelar as licenças do oleoduto Keystone XL, muitos temem que o atual mandatário possa apoiar a tentativa da governadora de Michigan, Gretchen Whitmer, de fechar outro oleoduto importante, o Enbridge Line 5, que transporta petróleo, gasolina e outros produtos energéticos entre o Canadá e os EUA.

Não podemos nos esquecer de que a atual secretária de energia dos EUA, Jennifer Granholm, é ex-governadora de Michigan pelo partido democrata. (Falaremos mais sobre isso abaixo).

A administração Biden afirma que negociará a questão com o governo do Canadá, mas não forneceu qualquer garantia concreta de que apoiará a continuidade da operação desse oleoduto. O fechamento da Linha 5 tornaria os produtos de energia muito mais caros nos EUA.

Biden também proibiu possíveis perfurações no Ártico, ainda que nenhuma empresa demonstrasse interesse em assumir o risco de realizar perfurações por lá. O chamado Green New Deal continua sendo um risco cada vez mais presente para a indústria americana de óleo e gás, pois muitos dos aliados do governo Biden dão pleno suporte a ele. Na semana passada, o governo anunciou que publicaria novas regras para emissões de metano e monitoraria as empresas de óleo e gás. Como as regras ainda não foram divulgadas, as empresas continuam no escuro quanto às despesas em que irão incorrer.

Não faltaram motivos para que a indústria de óleo e gás nos EUA temesse novas ações do governo, em razão da retórica empregada por pessoas próximas à administração. Primeiramente, a secretária de energia e ex-governadora de Michigan, Granholm, deu risada ao ser perguntada, em um sério programa dominical de negócios na televisão, quais eram seus planos para solucionar a alta dos preços da gasolina nos EUA.

Ela também confundiu a matéria-prima (petróleo bruto) com o produto acabado (gasolina) e demonstrou falta de conhecimento sobre a indústria petrolífera mundial, ao dizer que a “Opep é um cartel que controla mais de 50% da oferta de gasolina”.

As empresas de óleo e gás nos EUA não têm qualquer razão para acreditar que as autoridades em Washington realmente entendem como funciona sua indústria ou quais forças do mercado mundial estão em jogo.

O governo Biden não para de emitir mensagens antipetróleo aos produtores americanos, inclusive nomeando Saule Omarova para Interventora da Moeda. Recentemente, veio a público um vídeo em que ela afirma que pequenas empresas de carvão, petróleo e gás nos EUA “provavelmente iriam à falência no futuro próximo”. E disse ainda: “Pelo menos é o que queremos, que elas entrem em falência, se queremos resolver a mudança climática”.

Ao mesmo tempo em que gera obstáculos à produção petrolífera nos EUA, o presidente Biden e outras autoridades do seu governo pressionam a Opep a produzir mais petróleo.

Essas ações mostram aos produtores americanos que o governo Biden não entende nada da sua indústria, tampouco se importa com ela. A atual administração quer o fracasso dessas empresas, preferindo que os consumidores americanos comprem petróleo de produtores estrangeiros, exceto, aparentemente, do Canadá, que é nosso vizinho e nossa maior fonte de petróleo importado. Isso justifica o temor dos produtores americanos em relação aos obstáculos impostos pelo governo.

A única razão capaz de mudar o comportamento da atual administração seria uma alta ainda maior dos preços de gasolina e eletricidade, por temer uma revolta dos eleitores (vale dizer, dos consumidores). Do contrário, a indústria petrolífera americana tem todas as razões para considerar o atual governo como um obstáculo para a produção no país.

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