O diretor superintendente da Ubrabio, Donizete Tokarski, chamou a atenção para a importância do biodiesel, presente em diversas cadeias e produzido a partir da soja, do sebo bovino (gordura animal) e do óleo das frituras

(crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Em entrevista ao CB.Agro, o diretor superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Donizete Tokarski, ressaltou a necessidade de investir no mercado doméstico de biocombustíveis e valorizar componentes que podem contribuir muito na cadeia industrial do país. “Veja a questão da soja: 125 milhões de toneladas produzidas no país. Entretanto, a exportação é de dois terços disso. Mais de 80 milhões de toneladas são exportadas em grãos, mas é preciso valorizar a industrialização nacional. E industrializar mais no Brasil significa produzir com maior diversidade, ter verticalização, agregando valor ao nosso produto e, consequentemente, gerando muito mais emprego no país, que é um dos grandes problemas que nós temos hoje”, disse.

O especialista chamou a atenção para o biodiesel, presente em diversas cadeias e produzido a partir da soja, do sebo bovino (gordura animal) e do óleo das frituras. “O produto que antes era passivo ambiental, jogado na beira das estradas, lixões, rios, poluindo os rios. O que se faz hoje com o sebo bovino? Transforma-se em biodiesel. Cerca de 20% do biodiesel produzido no Brasil hoje é de gorduras animais. Outro produto que a população pode contribuir para a produção de biodiesel é o óleo de fritura, utilizado nas cozinhas de casa e restaurantes. Que muita gente joga na pia, poluindo e entupindo as redes de esgoto e, às vezes, até o próprio encanamento de casa. Cerca de 1 litro de óleo de gordura polui cerca de 25 mil litros de água”, explicou o diretor.

O biodiesel, segundo Tokarski, é o substituto do diesel fóssil. Segundo ele, é possível colocar no veículo no mínimo 30% de biodiesel, sem alteração da potência do motor — hoje, a adição ao diesel tradicional é de 3%. “A vantagem e que é um produto nacional, que agrega valor, produzido em 14 estados da federação, em todas as regiões do Brasil. Então, é um produto que faz o papel inverso da logística que, por exemplo, do diesel, produzido basicamente no litoral brasileiro. O Brasil também importa 20% do diesel que consome. Ou seja, nós ainda somos um grande importador de diesel”, afirmou Tokarski.

Ele ainda ressaltou a dependência do país ao combustível fóssil. Está na origem da pressão dos caminhoneiros sobre o governo, com reflexos na troca de comando da Petrobras, maior estatal brasileira. “Nós temos uma relação de mercado internacional muito ligada ao combustível fóssil. O biodiesel é um produto nacional, matéria-prima feita dentro de casa, com tecnologia praticamente domesticada. É apenas preciso fortalecer o processo de produção, aumentando o esmagamento da produção nacional e dando essa curva de crescimento do combustível ao longo dos próximos anos”, finalizou.

  • Estagiária sob supervisão de Carlos Alexandre de Souza

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