(Imagem: Reprodução/Adecoagro)

Embora instituições como o Santander e o Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege) tenham projetado que os créditos de descarbonização (CBios) serão negociados em torno de R$ 30 ao longo do ano, o valor médio dos títulos vem caindo desde a segunda quinzena de abril.

Na primeira metade de julho, por exemplo, os papéis criados pelo RenovaBio registraram um preço médio de R$ 27,67, encerrando o período a R$ 27,60. Os valores correspondem ao acompanhamento de mercado realizado pela B3, única entidade registradora do programa.

Em comparação com a quinzena anterior, o recuo foi de 1,7%. Já em relação ao valor médio de 2021 – de R$ 30,14 por CBio –, as atuais negociações trazem um declínio de 8,2%; ante a média histórica, por sua vez, a queda é de 27%.

Além disso, embora tenham ocorrido flutuações de preço ao longo do período, o cenário é de relativa estabilidade e, em nenhum momento, os CBios foram negociados por R$ 30 ou mais. Na quinzena, o valor mais elevado foi registrado em 6 de julho, com R$ 28,50; enquanto isso, o mais baixo foi visto em 9 de julho, com R$ 26,75, renovando a mínima anual.

Desde o início da comercialização dos créditos, em junho do ano passado, seu valor oscilou entre R$ 15 e R$ 72. Em 2021, a variação foi menos ampla, indo de R$ 26,75 a R$ 35,70.

De acordo com a B3, durante a primeira quinzena de julho, o mercado de CBios contabilizou 690 negociações. Com isso, foram totalizadas 1,47 mil trocas de titularidade no período de um mês e 8,7 mil no acumulado de 2021.

“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.

Emissões de CBios

Apesar da queda nos preços, a oferta de CBios segue crescendo. O número de títulos escriturados pelas produtoras de biocombustíveis em 2021 já soma 15,89 milhões. Somente na primeira metade de julho, a geração de crédito foi de 896,7 mil unidades.

O montante quinzenal representa uma queda de 43,8% ante os 1,59 milhão de créditos vistos na segunda metade de junho, mas está em linha com os desempenhos registrados nas quinzenas iniciais de meses anteriores.

Considerando também o saldo de CBios deixado ao final de 2020, o volume total de títulos disponibilizados ao mercado chega a 19,9 milhões. Esta quantia é suficiente para atender a 80% da meta estipulada pelo RenovaBio para este ano, de 24,86 milhões de créditos.

Ao longo de toda a história do RenovaBio, as produtoras de combustíveis já emitiram 34,51 milhões de créditos.

Atualmente, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 279 unidades participam do RenovaBio; destas, duas fabricam biometano e 28, biodiesel. Dentre as 249 usinas de etanol certificadas, 241 utilizam apenas a cana-de-açúcar; cinco processam milho e cana; duas, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.

Posse e aposentadoria

Em 16 de julho, o número de CBios disponível para compra e venda era de 17,03 milhões. A maior parte destes títulos estava em posse das usinas, com 8,62 milhões de unidades. Na sequência, as distribuidoras de combustíveis fósseis – que possuem metas a cumprir no RenovaBio – detinham 8,23 milhões de créditos. E, por fim, investidores sem metas armazenavam 175,9 mil CBios.

Em comparação com o encerramento da quinzena anterior, estas posições marcam avanços de 1,53% para as usinas, 9,96% para as distribuidoras e 399,64% para os demais investidores.

Um dos motivos para a elevação em todas as categorias foi a desaceleração no registro de aposentadorias, processo que retira os títulos de circulação. Na quinzena, apenas 15,5 mil títulos foram aposentados, ante 1,95 milhão na segunda metade de junho.

No acumulado do ano, 2,87 milhões de CBios saíram do mercado. Este montante é equivalente a 11,5% da meta para 2021, que deve ser cumprida até 31 de dezembro.

A B3, entretanto, não informa se as aposentadorias foram feitas por distribuidoras ou por investidores. Conforme regulamentação aprovada pela ANP em maio deste ano, os CBios que forem aposentados por agentes sem metas a cumprir poderão ser abatidos das obrigações das distribuidoras. A redução, entretanto, só deve ser contabilizada para os objetivos de 2022.

Renata Bossle – NovaCana

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