CHARGE: Biden e Opep+ em cabo de guerra enquanto o aumento dos preços do petróleo impulsiona a inflação

O cabo de guerra entre Joe Biden e a OPEP pode acabar antes mesmo do início, e não de uma forma lá tão boa para o presidente dos EUA.

O Conselheiro de Segurança Nacional de Biden, Jake Sullivan, fez um apelo aos grandes exportadores de petróleo do mundo para que aumentassem a produção na semana passada, depois que os preços da gasolina nos EUA atingiram máximas de sete anos.

Observando que os preços do petróleo estão agora mais altos do que antes da pandemia, Sullivan argumentou que “os custos mais elevados da gasolina, se não forem controlados, podem prejudicar o momento de recuperação global”.

Não seria bem assim, rebateu a Organização dos Países Exportadores de Petróleo no fim de semana: uma matéria da Reuters mencionando quatro fontes anônimas dentro do bloco insistia que havia petróleo em abundância para atender à demanda global, relembrando que o acordo com a Rússia e outros prevê 400.000. barris por dia nos mercados mundiais todos os meses, até que os cortes de emergência do ano passado sejam revertidos.

Sullivan pode ter retomado fôlego. De qualquer forma, os preços estão caindo rapidamente, em grande parte devido a fatores fora do controle tanto da Opep quanto de Washington.

Por volta das 16h25 (horário de Brasília) de terça-feira, os futuros do WTI dos EUA estavam sendo negociados a US$ 66,47 o barril, mais de 13% abaixo das máximas do início do mês. O Brent, referência global, caiu quase 11% em relação às suas máximas.

A demanda na China está diminuindo drasticamente à medida que a abordagem de tolerância zero de Pequim à Covid-19 luta para conter a recente onda de coronavírus. As restrições subsequentes afetaram fortemente a demanda de combustível: de acordo com dados da Baidu Inc (NASDAQ:BIDU) (SA:BIDU34), o deslocamento intermunicipal desmoronou na China na primeira quinzena de agosto. Somente na semana passada, o movimento de entrada e saída de Pequim e Xangai caiu 37% e 23%, respectivamente. Em uma medida mais ampla das grandes cidades, essa taxa caiu 15% na semana e 37% na média de julho.

Em tais condições, há pouca necessidade da China, o maior importador mundial, comprar petróleo no mercado a US$ 70 o barril, quando o país ainda repousa sobre montanhas de petróleo comprado no ano passado a preços baixíssimos. Como a China responde por 13% da demanda mundial de petróleo, uma interrupção repentina das importações tem um impacto externo nos preços mundiais.

De fato, seguindo os dados da produção industrial da China apresentados no início da semana, as refinarias chinesas cortaram a produção em julho para o nível mais baixo em 14 meses, deixando-a em baixa em termos anuais pela primeira vez desde março do ano passado, no auge das primeiras ondas da pandemia. A Reuters citou um representante de uma refinaria chinesa que disse na segunda-feira que estão programados para este mês outro corte de 3% nas operações.

Além disso, a disseminação do coronavírus está obviamente começando a afetar a disposição dos norte-americanos de viajar dentro do próprio país, até porque a taxa de contaminação no principal destino turístico do país, a Flórida, está atualmente fora de controle, com internações hospitalares bem acima dos picos anteriores.

Dados da Transportation Security Administration mostram que o número de passageiros passando pelos aeroportos dos EUA caiu nos dois últimos fins de semana, sugerindo que os aumentos iniciais da demanda reprimida por viagens foram de encontro a um novo vento contrário. Os dados da TSA mostraram que o número de passageiros do último fim de semana caiu 3,5% na semana, e mais de 5% em relação ao último fim de semana de julho.

Em um cenário otimista para o petróleo, a China supera as ondas de Covid-19 rapidamente e retorna aos níveis recordes de consumo registrados há apenas dois meses. Ao mesmo tempo, uma campanha revitalizada de vacinação nos EUA reduz as taxas de contaminação e permite que a demanda do maior consumidor do mundo se aproxime da demanda pré-pandemia. É questionável se isso pode ser alcançado antes do fim da “temporada de viagens” nos Estados Unidos, após o fim de semana do Dia do Trabalho, a menos de um mês.

Em contraste, se nenhum desses dois eventos se materializar, e as economias da Ásia em particular permanecerem contidas pelos repetidos surtos, a recuperação econômica global não estará encaminhada. Longe de aumentar a oferta ao mercado de maneira mais rápida, a Opep+ pode muito bem se ver sob pressão para adiar alguns dos aumentos com os quais agora se comprometeu.

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