Combustíveis em alta: Gasolina supera R$ 6/L na média nacional; etanol chega a R$ 4,6/L

Com maior aumento, biocombustível perde competitividade ante a opção fóssil pela quarta semana consecutiva

Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 29 de agosto a 4 de setembro:

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  1. O preço médio da gasolina nas cidades pesquisadas subiu 0,42%, enquanto o do etanol aumentou 1,07%
  2. O consumo de etanol é considerado economicamente desvantajoso em todos os estados do país
  3. O valor do hidratado teve aumento nas principais usinas mato-grossenses e paulistas, mas registrou queda nas goianas
  4. Levantamento de preços da ANP foi realizado em 343 municípios, seis a menos do que na semana anterior

Os preços dos combustíveis nos postos brasileiros sofreram novos aumentos na última semana, com a gasolina superando a marca dos R$ 6 na média nacional.

Conforme noticiado pela Reuters na última sexta-feira, a Petrobras lançou uma campanha de esclarecimento do preço da gasolina com o objetivo de demonstrar que a petroleira recebe somente R$ 2 do valor do combustível nas bombas e destacar o peso do ICMS na formação de preço.

O presidente Jair Bolsonaro, inclusive, entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para obrigar os estados adotarem alíquota única de ICMS sobre os combustíveis. O documento pede que o STF fixe o prazo de 120 dias para que o Congresso aprove uma nova lei sobre o tema. As informações são da Folha de São Paulo.

Pela quinta semana consecutiva, tanto o etanol quanto o seu concorrente fóssil passaram por ampliações – e, novamente, elas foram mais elevadas para o renovável.

Entre os dias 29 de agosto e 4 de setembro, o valor do biocombustível teve um incremento de 1,07%, saindo de R$ 4,562 por litro para R$ 4,611/L, em média. O fóssil, por sua vez, teve um acréscimo de 0,42%. Na média nacional, o preço passou de R$ 5,982/L para R$ 6,007/L entre as últimas duas semanas.

Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

No período analisado, o renovável custou o equivalente a 76,8% do preço de seu correspondente fóssil; no anterior, o índice era de 76,3%. Esta é a quarta semana seguida de redução de competitividade para o biocombustível.

Com isso, o etanol se distancia ainda mais do limite comercialmente estabelecido de 70% do custo da gasolina, faixa em que é considerado vantajoso para os consumidores. Além disso, esta é a pior relação para o produto desde o intervalo de 13 a 19 de junho, quando o índice era de 77,5%.

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Nas usinas, os aumentos foram superiores aos de uma semana antes. Nas unidades paulistas, o acréscimo no preço do hidratado foi de 1,15%, passando de R$ 3,1878/L para R$ 3,2245/L. Enquanto isso, nas produtoras mato-grossenses, o incremento foi de 0,59%. Já nas unidades goianas, houve queda de 0,47%. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP.

É importante reiterar que as comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.

Na semana analisada, foram levantados os dados de postos de 343 municípios, seis a menos do que na anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.

Variações nos estados

Segundo a ANP, de 29 de agosto a 4 de setembro, os preços do etanol nos postos subiram na média de 22 estados, caíram em três e no Distrito Federal, e se mantiveram no Amapá. A gasolina, por sua vez, teve aumento em 19 unidades da federação.

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Em São Paulo, o maior estado produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve um aumento de 1,36%, custando R$ 4,390/L na média semanal – ainda assim, este é o valor estadual médio mais baixo dentre todas as unidades da federação. Já a gasolina foi vendida a R$ 5,681/L, passando por crescimento de 0,5%.

A elevação mais relevante do renovável no comparativo com o fóssil ocasionou uma piora na relação entre os preços, que ficou em 77,3% ante os 76,6% do período anterior. Com isso, o índice fica ainda mais distante da marca de 70%, limite da faixa em que o etanol é considerado economicamente favorável ao consumidor. A pesquisa foi feita em 103 cidades, uma a menos do que na semana anterior.

Já em Goiás, o etanol foi adquirido a R$ 4,723/L na média da semana analisada. No período, houve um incremento de 2,92% no preço do biocombustível, o maior de toda a análise, levando ao preço mais elevado para o biocombustível dentre os seis estados de maior produção. Já a gasolina sofreu um incremento de 1,02%, sendo vendida a R$ 6,347/L.

Desta forma, a relação entre os preços do renovável e o do fóssil ficou em 74,4% no estado, pouco acima dos 73% de uma semana antes; ainda assim, esta foi a relação mais favorável ao etanol no comparativo com a gasolina em todo o país. Segundo a ANP, dez cidades foram consideradas no levantamento, três a menos do que no período anterior.

Por sua vez, Minas Gerais teve um aumento de 0,91% no preço médio do etanol, que foi comercializado por R$ 4,669/L. A gasolina também passou por um crescimento, de 0,43%, e foi negociada a R$ 6,235/L, em média. Com isso, o renovável custou o equivalente a 74,9% do preço do fóssil, índice superior ao da semana anterior, quando era de 74,5%. No total, 42 municípios mineiros participaram da pesquisa, mesma quantidade da semana anterior.

Em Mato Grosso, o etanol teve uma redução de 0,09%, a única dentre os seis principais estados produtores, e foi vendido a R$ 4,552/L. Já a gasolina teve uma retração de 0,15%, passando a custar R$ 6,100/L. Desta forma, a relação entre os preços se manteve em 74,6%. A ANP fez a pesquisa em sete municípios mato-grossenses, mantendo a quantia do período anterior.

Em Mato Grosso do Sul, o valor do etanol cresceu 0,09%, para R$ 4,686/L, o maior preço dentre os seis grandes produtores. A gasolina, por sua vez, teve redução de 0,05%, ficando em R$ 5,959/L. Assim, o biocombustível passou a custar o equivalente a 78,6% do preço de seu concorrente fóssil, acima dos 78,5% de uma semana antes. Somente Campo Grande, Corumbá, Dourados, Três Lagoas e Nova Andradina participaram do levantamento.

Por fim, o Paraná segue apresentando a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país, com o etanol custando o equivalente a 81,5% do preço da gasolina; o valor também representa um crescimento semanal do índice. Na semana, o etanol teve um incremento de 0,04%, sendo vendido por R$ 4,678/L na média estadual. Já a gasolina teve uma redução de 0,16%, ficando em R$ 5,740/L. No total, 21 cidades foram pesquisadas no estado, duas a menos do que uma semana antes.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 29 de agosto e 4 de setembro, 343 cidades foram pesquisadas, seis a menos do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

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