Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

Consumidor já pode considerar um reforço de dinheiro para os custos de combustíveis, que têm tudo para serem reajustados, segundo economistas ouvidos pelo E-Investidor

Se a diminuição dos deslocamentos, por conta da covid-19, provocou uma redução da demanda e preço dos combustíveis fósseis neste ano, é esperado que a retomada econômica mundial gere maior competição e os preços voltem a subir

Ainda que não espere uma grande elevação dos preços, Celso Hildebrand, professor e coordenador de projetos da Fundação Instituto de Administração (FIA), estima que gasolina, diesel e etanol podem ser reajustados entre 5% e 10%

Os votos de fim de ano precisam dividir espaço com a preparação do orçamento para 2021. Na hora de organizar as contas, o consumidor já pode considerar um reforço no caixa para os custos com combustíveis, que têm tudo para serem reajustados, segundo economistas ouvidos pelo E-Investidor. Há estimativas de alta de até 10% no preço na bomba.

“Vai ter aumento com certeza, por conta de uma dinâmica econômica diferente”, afirma Joelson Sampaio, coordenador do curso de economia da FGV EESP. “O alerta é que vai ter um peso maior para o bolso do consumidor.”

Como a pandemia de coronavírus reduziu o deslocamento dos brasileiros, houve uma redução da demanda e, consequentemente, dos preços dos combustíveis fósseis. Como já é esperada uma retomada econômica mundial, haverá competição entre os países e os preços voltarão a subir. “Não se deve esperar que em 2021 os combustíveis tenham uma dinâmica como foi a de 2020”, diz Sampaio.

Ainda que não espere uma grande alta nos preços, Celso Hildebrand, professor e coordenador de projetos da Fundação Instituto de Administração (FIA), estima que gasolina, diesel e etanol devem sofrer reajustes de 5% a 10%. “Não devem acontecer variações maiores que estas porque a demanda ficaria comprometida”, avalia Hildebrand.

No caso dos derivados de petróleo, como gasolina e diesel, o professor da FIA entende que não deve haver pressões do ponto de vista internacional sobre o preço da commodity, que “não tem espaço para reajustes significativos”. No caso do etanol, Hildebrand observa uma pressão dos preços alcançados pelo milho no mercado nacional e internacional, que podem gerar alguma correção. “Mas vai ser um preço que mantenha o diferencial do etanol em relação à gasolina, para não perder mercado.”

Apesar de não fazer uma projeção específica, Ricardo Rocha, professor de finanças do Insper, diz que um aumento de até 10% nos derivativos de petróleo não geraria surpresa. “Se o IPCA fechar em 3,5% de inflação, é possível esperar um reajuste de gasolina de pelo menos 3,5%”, diz Rocha.

Para o professor do Insper, o sucesso na vacinação contra a covid-19 vai acelerar a corrida global pelo “tempo perdido” na crise. Isso levará a um aumento de demanda por commodities, que em algum momento atingirá o consumidor final. “O fator mais relevante é o preço do barril do petróleo, isso é o que vai pesar mais. À medida que o preço sobe, aqui no Brasil a Petrobras vai ter que ajustar [o preço] na bomba”, explica Rocha.

O preço hoje
Na segunda semana de dezembro, gasolina, diesel e etanol tiveram alta significativa, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O diesel, combustível mais consumido do País, cresceu 0,14%, em relação à primeira semana do mês, e chegou a R$ 3,587 por litro.

A gasolina comum chegou à média nacional de R$ 4,481 nos postos, um crescimento de 0,31%. O etanol registrou a maior alta no período, 0,88%, e ticket médio de R$ 3,185 por litro, conforme o levantamento da reguladora.

Mas é possível ver discrepâncias na hora de abastecer. Um estudo da ValeCard na cidade de São Paulo mostrou que o preço da gasolina variou até 32,2%, na primeira quinzena de dezembro, em diferentes bairros. Se no Pari, no Centro da Cidade, a gasolina custava R$ 3,879, no Parque Anhanguera, na região Noroeste, o preço era de R$ 5,129.

Os economistas recomendam preparar o orçamento para não ter as surpresas que, de alguma forma, já estão se anunciando. “Os consumidores deveriam entrar no ano que vem um pouco preparados, tendo uma certa reserva adicional para os seus gastos, incluindo combustível”, diz Rocha, do Insper.

“Uma dica é usar mais ferramentas de planejamento e pesquisa, que é o melhor a se fazer quando tem choques de preços”, completa Sampaio, da FGV EESP.

Autor/Veículo: E-investidor Estadão

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