LONDRES (Reuters) – Mesmo que produtores de petróleo da Opep+ concordem formalmente com cortes extras de bombeamento, o rápido preenchimento da capacidade de estocagem e a forte queda na demanda devido à crise do coronavírus podem forçá-los a reduzir ainda mais a oferta.

Com o colapso no consumo da commodity, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), a Rússia e outras nações produtoras, que formam o grupo conhecido como Opep+, devem implementar a partir de 1º de maio um acordo para cortes recordes de oferta de 9,7 milhões de barris por dia (bpd).

Mas esse acordo sem precedentes para retirar do mercado cerca de 10% da oferta global já parece inadequado, uma vez que a demanda despencou em até 30% e é possível que o mundo esteja a poucas semanas de verificar um esgotamento da capacidade de estocagem para o superávit de oferta.

A Vopak, maior empresa independente de armazenamento de petróleo do mundo, afirmou nesta terça-feira que seus tanques estão praticamente cheios.

Já os tanques no centro de distribuição dos contratos futuros de petróleo dos Estados Unidos, em Cushing, podem não estar totalmente cheios até aqui, mas todo o espaço disponível já foi reservado, segundo analistas e operadores.

“Nós temos que cortar, com ou sem acordo de redução de oferta da Opep”, disse Mele Kyari, presidente da estatal nigeriana NPPC Group, ao jornal local Premium Times, acrescentando que está difícil encontrar qualquer lugar para armazenar petróleo.

Uma fonte da Opep afirmou à Reuters que é “lógico” esperar que o mercado force novos cortes de produção aos países da Opep+.

Devido aos cortes de produção e a outros “shutdowns”, até 17 milhões de bpd em oferta podem ser retirados do mercado nesta primavera (do Hemisfério Norte), estimou Jim Burkhard, da IHS Markit.

A Energy Aspects espera que as iminentes paralisações nos EUA representem pelo menos 1,3 milhão de bpd, que se somariam aos cortes já anunciados pelo país neste mês, quando a Opep+ negociava seu acordo.

Fonte: Investing.com

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