Os preços do petróleo estavam um pouco mais altos do que precisavam estar, afirma especialista da Trafigura (Imagem: Reuters/Christian Hartmann)

A trading de commodities Trafigura acredita que o mercado de petróleo está prestes a registrar novamente superávit diante da estagnação da recuperação da demanda.

“Nossa expectativa é que os estoques de petróleo cresçam até o fim do ano”, disse Ben Luckock, corresponsável por negociação de petróleo da Trafigura.

“Os preços do petróleo estavam um pouco mais altos do que precisavam estar: US$ 40 o barril Brent é mais sensato.” Mas ele acredita que as cotações vão cair para a faixa superior dos US$ 30.

Os comentários marcam um início pessimista para a Conferência Anual de Petróleo da Ásia-Pacífico (APPEC, na sigla em inglês) em Cingapura, um dos maiores encontros do setor de trading de petróleo do mundo.

Com o coronavírus ainda devastando países ao redor do mundo, a conferência será realizada online e a maioria das empresas cancelou a rodada normal de coquetéis e jantares.

A Trafigura tem uma visão privilegiada sobre o mercado global de petróleo como a segunda maior operadora independente de energia do mundo, atrás apenas da Vitol. A Trafigura foi uma das primeiras a prever a magnitude do colapso da demanda em março e abril.

Agora, a trading aposta que o mercado de petróleo está prestes a entrar em outra fase baixista, apesar dos esforços da aliança Opep+ para equilibrar a oferta e a demanda.

“Este mercado parecerá pior em alguns meses do que agora”, disse Luckock em entrevista antes de seu discurso online para a APPEC, organizada pela S&P Global Platts. “Acho que preços mais baixos do petróleo são justificados.”

Tradings como a Trafigura se preparam para um possível superávit de petróleo bruto e produtos refinados e contratam petroleiros gigantes para fretamentos de meses com o objetivo de armazenar o excesso de barris, se necessário.

O mercado está “muito perto” do ponto em que o armazenamento flutuante de petróleo bruto com navios maiores se torna uma questão econômica, disse Luckock.

O principal problema é que a demanda, que mostrou forte recuperação ao longo de maio e junho, estagnou. O nível atualmente é de cerca de 92 milhões de barris por dia, em comparação com cerca de 100 milhões de barris por dia antes da pandemia, de acordo com a Trafigura.

O consenso de mercado há alguns meses era de que o consumo aumentaria de forma constante no terceiro e quarto trimestres, mas operadores agora reduzem essas previsões, já que alguns países enfrentam uma segunda onda de casos de coronavírus.

Fonte: Money Times

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