Agência considera que, apesar do fim da pandemia estar no horizonte dos países desenvolvidos, a lentidão das campanhas de vacinação pode afetar a recuperação em outras nações.
— Foto: Getúlio Moura/Petrobras/Divulgação

A demanda mundial de petróleo vai superar os níveis prévios à pandemia no fim de 2022, em contradição com os esforços necessários para limitar o aquecimento do planeta, anunciou nesta sexta-feira (11) a Agência Internacional de Energia (AIE) em um relatório que detalha as previsões para o próximo ano.

“A demanda mundial de petróleo vai continuar se recuperando e até o fim de 2022 superará os níveis anterior à covid”, afirmou a instituição.

Após um retrocesso recorde de 8,6 milhões de barris por dia (mbd) em 2020, a demanda mundial deve aumentar em 5,4 mbd este ano e em 3,1 mbd em 2022, quando alcançará 99,5 mbd de média.

No último trimestre de 2022, a demanda deve atingir 100,6 mbd, segundo a AIE. O pico mundial até o momento foi registrado no quarto trimestre de 2019, com 100,5 mbd, antes da pandemia.

“A recuperação será desigual tanto entre as regiões como entre os setores e produtos”, aponta o relatório.

A agência considera que, apesar do fim da pandemia estar no horizonte dos países desenvolvidos, a lentidão das campanhas de vacinação pode afetar a recuperação em outras nações.

“Os produtos petroquímicos se beneficiarão da forte demanda de plásticos, enquanto o comércio mundial apoiará a demanda de combustíveis marítimos”, completa o relatório. “Mas o setor da aviação será o mais lento na recuperação, pois algumas restrições às viagens devem seguir em vigor até que a pandemia esteja firmemente sob controle”.

A organização também espera que a gasolina continue abaixo do nível prévio à crise, consequência da continuidade do trabalho à distância em vários setores e do aumento da participação no mercado dos veículos elétricos.

“Responder ao crescimento esperado da demanda não deve representar um problema”, afirma a agência, que destaca as capacidades de produção adicionais dos países da OPEP e seus aliados.

Estes países, reunidos no grupo OPEP+, limitaram sua produção para apoiar os preços do petróleo durante a crise, mas agora começam a retomar as operações com 2 mbd adicionais.

A agência calcula que os países da OPEP+ poderão produzir até 6,9 mbd a mais e, caso as sanções internacionais contra o Irã sejam retiradas, o mercado teria outros 1,4 mbd.

A AIE, no entanto, destaca novamente as dificuldades para alcançar a neutralidade de carbono no mundo e limitar o aquecimento global.

“A demanda de petróleo deve continuar aumentando, ressaltando os enormes desafios necessários para alcançar as ambições declaradas”, afirma o relatório.

A agência, que aconselha os países desenvolvidos, destacou em um documento publicado em maio os esforços necessários para manter a mudança climática sob controle, como exige o Acoro de Paris sobre o clima.

A organização defende o abandono de qualquer projeto de prospecção de petróleo ou gás e a suspensão da venda de novos veículos com motores a combustão a partir de 2035.

Isto implicaria que a demanda de petróleo não supere nunca o pico de 2019, pois cairia gradualmente a 72 mbd em 2030 e a 24 mbd em 2050, calculou a AIE em maio.

Na quinta-feira, o petróleo do tipo Brent fechou a US$ 72,52 o barril, com alta de 0,42%. Em Nova York, o barril de WTI fechou em alta de 0,47%, a US$ 70,29.

Por France Presse

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