Estimativa é reduzir preço da gasolina em 21% com medidas adotadas, afirma Sachsida

Para ministro de Minas e Energia, projeção é de redução de R$ 7,39 para R$ 5,84, em média

O ministro de Minas e EnergiaAdolfo Sachsida, afirmou nesta terça-feira que a gasolina deve cair até 21% com as medidas adotadas pelo governo federal e o Congresso. A estimativa, apresentada por ele em audiência pública na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, é de que o preço médio do litro no país caia de R$ 7,39 para R$ 5,84.

Sachsida disse que o país está no caminho certo ao reduzir impostos para baixar o preço dos combustíveis. “Estamos dando a resposta correta. Tanto é correta que o resto do mundo inteiro está tentando fazer isso. Estados Unidos estão tentando fazer isso, Europa está tentando fazer isso. A diferença é que no Brasil nós já fizemos”, declarou.

Segundo as estimativas apresentadas, os demais combustíveis terão redução menor no preço. O etanol tem potencial para cair 6,1%, saindo de R$ 4,87 por litro para R$ 4,57. O diesel cairia de R$ 7,68 por litro para R$ 7,55, queda de apenas 1,7%. E o gás de cozinha seria reduzido de R$ 112,70 por botijão para R$ 110,07, redução de 2,3%. “O diesel e gás de cozinha terão redução potencial menor porque já estavam com os tributos federais zerados para sempre.”

O ministro negou que o governo tenha poder de reduzir o preço dos combustíveis, dizendo que a lei das estatais e a lei do petróleo não permitem isso, mesmo que a União tenha maioria no controle da Petrobras. “Não é possível isso acontecer. Os normativos legais são muito claros, o governo federal não tem poder para influenciar o preço dos combustíveis”, disse.

Ele procurou desvincular o controle da empresa, exercido porque o governo federal tem 52% das ações com direito a voto, do total de acionistas. “Quando a gente olha o capital, apenas 39,6% é do governo federal. O governo federal tem o controle porque tem 52% das ações ordinárias, mas notem que é uma empresa de capital aberto e tem que ser respeitada”, disse.

Sachsida, contudo, voltou a criticar o volume de lucros da empresa. Trouxe dados que mostram que, apesar de ser a sexta em número de empregados e volume de petróleo explorado, é a segunda no mundo em valor de dividendos distribuídos aos acionistas e a terceira em lucro. “Isso é indício de que a Petrobras realmente está tendo lucro maior que seus pares e pagando dividendos acima de seus pares”, afirmou.

Ele atacou os governos anteriores, dizendo que foi necessário gastar US$ 100 bilhões para diminuir o endividamento da empresa. “Nós, brasileiros, gastamos um plano Marshall para reconstruir a Petrobras pelo que foi feito em governos passados”, disse. Ele criticou ainda que a Petrobras começou a construir quatro refinarias em governos passados, que tornariam a empresa autossuficiente em refino de diesel, mas isso não ocorreu porque as obras não terminaram – sem explicar porque a atual gestão não deu continuidade a esses investimentos.

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