Etanol no posto de combustíveis — Foto: Reprodução/EPTV

O etanol brasileiro produzido a partir de cana-de-açúcar é ainda mais sustentável do que se imaginava, segundo um estudo coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais. Pesquisadores do CNPEM, em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), desenvolveram um novo modelo de cálculo do chamado carbono equivalente que considera características próprias do solo dos canaviais do país.

Etanol de cana ameaça ´empurrar´ gado, alerta estudo

Hoje, para o cálculo das emissões de carbono equivalente, utiliza-se o padrão proposto pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC). Esse modelo baseia-se em dados coletados em solos de clima temperado, diz o pesquisador João Carvalho, do CNPEM. “Já houve muito debate sobre o fato de os solos tropicais emitirem menos do que os de clima temperado”, disse ele ao Valor.

Carvalho e outros pesquisadores organizaram mais de uma década de informações de diferentes fontes para criar o cálculo que considera as diferenças de solo. O trabalho, revisado por pares, foi publicado na revista “Renewable & Sustainable Energy Review”.

Para o cálculo, os cientistas brasileiros consideraram um novo fator de emissão de óxido nitroso (N2O). Pouco citado quando se fala em gases de efeito estufa, o poluente é 300 vezes mais nocivo à atmosfera que o dióxido de carbono. Mesmo com emissões em volume reduzido, o N2O responde por cerca de 50% da pegada de carbono do etanol, diz Carvalho.

Para comparar os dois modelos de cálculo, os pesquisadores consideraram uma usina da região Centro-Sul do Brasil com capacidade de processar 4 milhões de toneladas de cana por ano. No padrão do IPCC, a usina emitiria 176,5 milhões de toneladas de CO2 equivalente. Já o modelo do CNPEM resultaria em emissões de 145,2 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 19% entre um padrão e outro.

O uso do etanol para substituir a gasolina diminuiria em 73,3% as emissões de carbono equivalente por ano, de acordo com o padrão do IPCC, ou 78,1%, quando considerado o modelo dos cientistas brasileiros. Isso geraria US$ 320 mil adicionais em Créditos de Descarbonização (CBIOs) para uma usina desse porte.

Carvalho acredita que o novo modelo daria impulso adicional ao mercado de CBIOs, que integra o programa Renovabio, de redução das emissões. “Até pouco tempo atrás, uma pessoa nos perguntaria ´o que eu ganho com isso? Estou gastando mais dinheiro para ter essa sustentabilidade, e meu negócio é econômico”. Agora, ela tem um adicional que paga essa conta”, destaca o pesquisador.

Fonte: Valor Econômico

Assine nossa newsletter

Cadastre-se e recebe nossas notícias da semana.

VOCÊ PODE GOSTAR

Uso de etanol no Brasil evitou emissão de 556 mi t de CO2 desde 2003, diz Unica

O uso de etanol no Brasil evitou a emissão de mais de 556 milhões de toneladas de CO2 equivalente na atmosfera entre março de 2003, quando foi lançada a tecnologia flex, e abril deste ano, indicou pesquisa divulgada nesta quarta-feira pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Postos veem queda de 50% nas vendas e temem “quebradeira geral”, diz Fecombustíveis

A Fecombustíveis, federação que representa postos de combustíveis no Brasil, já teme uma “quebradeira geral” diante de uma queda média já registrada de 50%.

Consumo de combustíveis cai 8,2% em julho na comparação anual, aponta ANP

Apesar de retração no ano, vendas vêm subindo mês a mês, depois de terem atingido o fundo do poço em abril; ante junho, alta chegou a 10,7%.

Petrobras aumenta em 3% a gasolina e em 4% o diesel nas refinarias

Segundo uma fonte, o aumento é de R$ 0,0518 para o litro da gasolina e de R$ 0,0749 para o diesel