Com a gasolina a quase seis reais e o etanol em alta, trabalhadores deixam o carro em casa e apelam ao transporte público, onde há risco de aglomerações. Dono de posto afirma que margem de lucro está próxima de zero

Lucas da Costa Lima, vendedor, não se sente seguro para usar transporte público na pandemia e prefere gastar com a gasolina – (crédito: Gabriela Chabalgoity)

A alta no preço dos combustíveis tornou-se uma constante na vida dos brasilienses. No posto Shell da 306 Norte, a gasolina subiu de R$ 5,68 para R$ 5,97 na última terça-feira (19/05), enquanto o etanol se manteve a R$ 4,99. No posto da Shell localizado na 307 Norte, a alteração nos preços ocorreu na segunda-feira, repetindo os novos valores da gasolina. Mas o etanol subiu de R$ 4,70 para R$ 5,00.

Esses reajustes, apesar do dólar estável e da interrupção de reajustes nas refinarias, têm assustado os consumidores. Com o preço proibitivo dos combustíveis, muitos motoristas optaram por deixar o carro em casa e utilizar o transporte público. É o caso de Marcino Barros, 53 anos, assistente de serviços. Ele mora em Águas Lindas de Goiás e disse que ficou inviável de vir até o trabalho, na 106 Norte, de carro. “A gasolina está muito cara, para eu vir até aqui, gastaria muito”, lamenta.

Ele observa a mudança de hábito. “Quase sempre andei de transporte público. Agora que a gasolina está com valores absurdos, decidi que andar de ônibus seria melhor para o meu bolso. Pego dois ônibus e chego ao trabalho”, conta. Em relação às aglomerações no ônibus em meio à pandemia da Covid-19, Marcino afirma tomar todos os cuidados possíveis.

O vendedor Lucas da Costa Lima, por sua vez, ainda prefere o carro. “Eu prefiro utilizar o carro, gastar a mais com isso, porque o preço dos transportes também está alto e tem muita aglomeração, o que é perigoso durante a pandemia. Além disso, os ônibus quebram muito e eu chego atrasado, já aconteceu comigo duas vezes”, afirma o morador de Planaltina.

Sobre o combustível, Lucas afirma que o carro dele não é flex. Ele não pode abastecer com álcool, então, o combustível acaba pesando no orçamento. “Todos os dias boto R$ 50,00, não dá para nada”, queixa-se.

O dono do posto Jarjour, Wonder Jarjour, 31 anos, tenta reduzir os preços para não perder clientes. “A concorrência atualmente está muito predatória, muitos postos estão abaixando o preço, chegando à margem quase zero apenas para manter a operação girando. E isso causa um efeito dominó, pois todos acabam tendo que baixar os preços para acompanhar o mercado e manter a clientela”, conta.

Fonte: Correio Braziliense

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