Imagem: Adobe Stock (Divulgação)

Com a saída da Petrobras de quase metade do mercado de refino brasileiro, o governo federal pretende dar à Agência Nacional do Petróleo (ANP) as atribuições de monitorar o mercado de distribuição de combustíveis em todo país, que até então era feito pela estatal.

A informação foi dada na manhã desta terça-feira pelo secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia (MME), José Mauro, ao explicar que na próxima semana será encaminhada proposta nesse sentido ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE ).

O secretário participou nesta terça do painel “Oportunidades e desafios no novo mercado de downstream no Brasil” na Rio Oil & Gas.

Os participantes debateram virtualmente sobre os desafios do mercado de refino no país a partir do próximo ano com o fim do monopólio da Petrobras no setor, com a venda de oito de suas refinarias.

  • Na semana que vem vamos levar ao CNPE uma proposta para dar à ANP diretrizes para monitorar o novo mercado como um todo, com ferramentas em tempo real. Isso atualmente é feito pela Petrobras – afirmou José Mauro.

Atualmente a Petrobras monitora todo o mercado nacional, pois detém 98% do refino e faz as compensações em termos de combustíveis entre as regiões, para garantir que não ocorra falta de algum produto. Com a redução de sua participação no refino, alguém terá que fazer esse acompanhamento quando houver vários atores regionais, após a venda das refinarias, para segurança do abastecimento.

O secretário do MME também destacou a importância dos biocombustíveis e por isso considerou que é preciso avaliar como as novas tecnologias vão entrar na matriz de transporte, combinando ciclo de Otto (termodinâmico), diesel, eletrificação, biocombustíveis avançados e hidrogênio.

  • Também vamos propor ao CNPE uma diretriz para rever o atual modelo de comercialização do biodiesel, em leilões públicos envolvendo a Petrobras, que não faz mais sentido. Queremos fazer uma transição em 2021 para um mercado mais aberto e com livre concorrência – destacou José Mauro.

Equinor: união de experiências e redução de emissões
O presidente global da Equinor, Anders Opedal, afirmou nesta terça -feira que a indústria petrolífera não deve focar apenas na produção de petróleo e gás natural, mas também na na maior redução de emissões de carbono.

Ele participou nesta terça-feira de evento na Rio Oil Gas, que está sendo realizada nesta semana de forma virtual. De acordo com o executivo, o caminho da indústria de petróleo no mundo é buscar a transição energética, em um cenário em que fontes diferentes de energia terão espaço para conviver.

A petroleira norueguesa Equinor tem como meta zerar as emissões líquidas de carbono até 2050. Ao longo das próximas décadas o mundo vai continuar consumindo petróleo e gás.

  • Não podemos focar apenas na produção de óleo e gás, e sim em produzir com a menor emissão de carbono possível- ressaltou o executivo..

Ele destacou que as várias fontes de energia podem perfeitamente conviver juntas, e é possível unir a experiência da indústria de exploração e produção de óleo e gás ao desenvolvimento de projetos eólicos offshore, por exemplo, assim como levar energia elétrica para o funcionamento de plataformas de petróleo.

  • Nós podemos contribuir, podemos fazer a diferença nesse contexto – disse o executivo.

    Autor/Veículo: O Globo

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