Hidratado: sem aumento de produção e Índia retirando açúcar do mercado, a partir de 2022 preços serão proibitivos

É do jogo do mercado e há pouco a fazer para se evitar, em curto e médio prazos, a disparada dos preços do etanol hidratado, que desde abril foi a 54% em plena safra, e não colocar em xeque o estímulo do consumidor para essa fonte energética se a produção voltar a sofrer revezes como agora. E, de quebra, o Brasil retroceder na participação do biocombustível na neutralização do carbono emitido à atmosfera.

Pelo perfil atual da produção da principal matéria-prima, a cana-de-açúcar, a área precisaria de um forte impulso para fazer frente a problemas climáticos graves como a seca de meses e as geadas. Nesta safra, só o Sudeste perdeu 3% e totalizará 5,2 milhões de hectares, segundo a Conab.

E na medida, também, em que a produtividade média ainda está estacionada em 70 toneladas por hectare e a cana de três dígitos (100 t/ha) ainda não dá nem estatística.

A situação poderá piorar a partir de 2022. E o perigo para o etanol brasileiro vem do etanol da Índia, sem mesmo se considerar que parte da cana prejudicada seriamente no Centro-Sul este ano vai ser cortada no próximo.

Se o segundo país mais populoso partir mesmo, como o governo informou, para uma mistura de 10% de anidro à gasolina, vai consumir 4 bilhões de litros adicionais. Em 2023, com a meta antecipada para 20%, salta para 10 bilhões/l. Boa notícia para o segundo país mais poluidor do mundo e para o planeta.

Mas, para isso, vai tirar cana da fabricação de açúcar e a commodity tende a sofrer uma expressiva pressão de alta.

Não precisa se fazer muito exercício sobre a reação das usinas brasileiras.

Se as indústrias brasileiras estão se aproveitando da quebra da safra e da menor oferta de açúcar, que elevou as cotações internacionais seguidamente em máximas nesta temporada – sexta (13), por exemplo, chegou a quase 20 centavos de dólar por libra-peso -, não haverá o que mudar nos próximos anos.

Petróleo

O hidratado será sacrificado, como agora, quando se produziu 1,5 bilhão/l a menos em quatro meses, 14,8% menor que a produção verificada em 2020 no mesmo período pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), ao passo que o anidro foi bem mais privilegiado no mix. A moagem caiu mais de 7%.

Com a exponencial alta do petróleo, ante uma economia global saindo mais agressivamente da pandemia, os preços do biocombustível ganharão mais suporte e serão ainda menos suportados pelo consumidor, com a eficiência energética percebida ainda em 70% em relação à gasolina, sem a correspondência de aumento considerável da oferta.

A safra conjunta das lavouras de São Paulo, Minas, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná neste ciclo 21/22 estima-se em torno de 550 milhões/t, fazendo uma média de previsão que vai entre 540 a 560 milhões/t, diante de um recuo visto de 60 a 70 milhões/t entre analistas.

O volume dos dois etanóis estava projetado para 29 bilhões/l em fevereiro, caiu para 25 bilhões no início do ciclo (abril) e deverá ficar entre 20 e 22 bilhões até o final do ano. A queda vai continuar na conta do utilizado nos automóveis flex.

Não tem muita alternativa em prazos mais curtos. O etanol de milho, em 2021, ficará em 3,38 bilhões/l aproximadamente, 8% do total produzido somando com o de cana, segundo o presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Guilherme Nolasco. Mesmo com ganho de 15% este ano e vários projetos em carteira, deverá demorar muito para atingir um share que faça diferença.

Além do que, como está acontecendo com o mix da cana, o anidro também pode ser mais priorizado por um consumo mais vistoso.

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