O general Joaquim Silva e Luna, diretor-geral de Itaipu – Evaristo Sa/AFP

Indicado de Jair Bolsonaro para o cargo de novo presidente da Petrobras, o general Joaquim Silva e Luna atualmente é diretor-geral da Itaipu Binacional. Nascido em Pernambuco e hoje na reserva, Luna serviu seus últimos cinco anos no Ministério da Defesa, chegando a chefiar a pasta no governo do ex-presidente Michel Temer.

Nos seus 12 anos como oficial da ativa, foi comandante de brigada, diretor de patrimônio, chefe do gabinete do comandante do Exército e chefe do Estado-Maior do Exército. Para seus dois anos à frente de Itaipu, Luna escalou militares para cargos de confiança. Tem 20 em sua equipe; entre eles, 4 dos 6 diretores da empresa.

No fim de 2019, Luna concedeu a todos os funcionários de Itaipu um bônus equivalente a 2,8 salários como compensação por possíveis perdas decorrentes de acordo coletivo de trabalho.

Com a medida, Luna também ganhou o pagamento extra —R$ 221,2 mil em indenização— no fim de seu primeiro ano no cargo, quando seu salário era de R$ 79 mil. Como teve caráter indenizatório, a verba foi livre de Imposto de Renda.

À frente de Itaipu, ele vem tocando grandes obras de infraestrutura custeadas pela empresa. Com orçamento anual de US$ 200 milhões (R$ 1,1 bilhão), Itaipu tem projeção de liberar R$ 1,4 bilhão para sustentar 31 projetos, anunciados por Bolsonaro em novembro de 2020.

E foi justamente por ter o orçamento dolarizado de Itaipu, livre de órgãos de fiscalização, para tocar o pacote de obras volumoso, que Luna caiu nas graças do presidente.

No dia 25, está prevista a volta de Bolsonaro a Foz do Iguaçu (PR) para o lançamento de outro projeto bancado por Itaipu: investimento de R$ 1 bilhão para revitalização do sistema de corrente contínua de alta tensão de Furnas.

Na lista de obras pagas pela usina estão de construção de escolas militares a instalação de vitrais em uma catedral.

Uma das obras, a estrada do Boiadeiro, vai demandar R$ 223 milhões, incluindo o pagamento de indenização para desapropriação (R$ 18,2 milhões) e R$ 11,9 milhões para reajustes contratuais. Totalmente financiada por Itaipu, a obra tem por objetivo “disciplinar o tráfego entre Mato Grosso do Sul e Paraná”.

A binacional também bancará a conservação, a restauração e a gestão do complexo arquitetônico dos acervos do Ministério das Relações Exteriores no Rio de Janeiro.

O custo com o Palácio de Itamaraty, que fica a quase 1.500 quilômetros da usina, está calculado em R$ 7,318 milhões. A justificativa para o gasto estaria no fato de o tratado de Itaipu ter sido assinado no palácio.

Hoje aos 71 anos, Luna acompanhou de perto a liberação dessas obras.

Segundo relato, Luna foi enfático ao ser questionado sobre a viabilidade legal de uma das obras: “A única lei que reconheço é da gravidade”.

Essa não é sua única máxima. No dia 3 de fevereiro, em uma palestra pública, o general apresentou dois slides aos funcionários. Em uma delas, a orientação foi que “o importante é a narrativa, não os fatos”. Em outra tela, afirmava-se que brincadeiras entre empregados relaxam o ambiente de trabalho. Nem todas deveriam ser interpretadas como bullying.

Muito preocupado com segurança, Luna determinou a construção de um acesso exclusivo para ele na sede de Itaipu, além de instalação de câmeras em todos os corredores da empresa.

O general da reserva João Francisco Ferreira foi indicado para o cargo de diretor-geral de Itaipu.

Fonte: Folha de São Paulo

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