Mistura de 10% deve reduzir renda em us$ 2,5 bi e gerar gastos de us$ 1,2 bi com importações de diesel

Cálculo é da indústria de biodiesel, que criticou a decisão do Conselho Nacional de Política Energética de manter o B10 no país

Globo Rural – Representantes da indústria de biodiesel reforçaram as críticas à política do governo para o setor depois da decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de manter em 10% a mistura do combustível renovável no derivado de petróleo para 2022. Em comunicado, conjunto, entidades que reúnem a cadeia produtiva avaliaram que a decisão representa a destruição do programa nacional de biodiesel e dá um sinal contrário aos compromissos estabelecidos pelo Brasil na 26ª Conferência do Clima da ONU (COP26).

“A medida também manteve o país distante do definido pela Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), cujo objetivo é promover a expansão dos biocombustíveis na matriz energética, reduzir a intensidade de carbono e assegurar previsibilidade para o mercado de combustíveis”, diz a nota, assinada pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Abrobio) e União Brasileira do Biodiesel e do Bioquerosene (Ubrabio).

Nas contas das três entidades, a proporção de 10% representa uma redução de 2,4 bilhões de litros na produção do biodiesel no Brasil, que tem a soja como principal matéria-prima. A mistura de 13% ou 14% (B13 ou B14) geraria uma demanda 8,6 bilhões de litros. O chamado B10 gera uma demanda de 6,2 bilhões de litros do combustível renovável. A situação geraria uma redução de US$ 2,5 bilhões na renda do Brasil e uma despesa de US$ 1,2 bilhão com importações do diesel derivado de petróleo.

“[A decisão] Deu um golpe mortal na previsibilidade, despreza investimentos realizados e afasta aportes futuros no setor de biodiesel, com impacto direto na eliminação de empregos e de PIB verdes”, diz o comunicado. “O governo penaliza o setor, gera desemprego em toda a cadeia de agronegócio, promove desinvestimento, aumenta a poluição, a inflação, prejudica a economia e afasta o país dos compromissos de descarbonização”, acrescenta.

Na nota, as entidades ressaltam que a manutenção da mistura vem ao mesmo tempo em que se inaugura um novo modelo de comercialização de biodiesel no Brasil, que, tem como uma das principais medidas, o fim dos leilões do biocombustível. Modelo que também é citicado pelo setor, para quem ainda não foi apresentada uma solução para as questões tributrárias, que podem representar custos para a cadeia produtiva.

Petróleo tem pior semana desde março, com WTI abaixo de US$ 90

Os touros do petróleo costumavam sorrir para o mercado de trabalho dos EUA com orgulho. Agora, eles não têm mais tanta certeza se deveriam.

Medos de recessão tomam conta dos mercados de petróleo

Os preços do petróleo estão de volta aos níveis em que estavam antes de a Rússia invadir a Ucrânia, destacando que uma recessão global e a destruição da demanda são agora o foco central dos comerciantes.

Petróleo cai cerca de 7% na semana e preço negociado volta a ser o mesmo de fevereiro

Brent e WTI operam em alta moderada, rompendo o fechamento negativo de dois pregões consecutivos. Mas a recuperação de hoje, no patamar de 1% para ambas as referências, não chega perto do acumulado de perdas da semana, que somam cerca de 7%.