Nada favorece a queda no preço do etanol para os próximos meses, avalia presidente do SIFAEG

Diário de Goiás – O cenário nebuloso frente aos preços do etanol no Brasil e em Goiás continuará acentuado pelo próximo semestre. “Em termos de produção do etanol não temos nada que favoreça nos próximos meses”, pontua o presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol do Estado de Goiás (Sifaeg), André Rocha. A declaração foi dada ao Diário de Goiás em entrevista nesta segunda-feira (30/08).

André explica que a produção de etanol começa um ano antes do produto chegar na ponta para o consumidor e no caso, vivemos períodos que alternam entre secas e geadas – algo incomum para a região goiana. Isso foi péssimo para a produção de diversos insumos: cana e milho, por exemplo. “Geada para a cana é a mesma coisa que queimada”, pontua. A baixa produção faz os produtos tornarem-se escassos e com isso, os preços vão subindo.

Questões climáticas envolvidas

Antes de falar em recuperação para o setor, André reforça que é preciso avaliar como estarão as condições climáticas durante o período de produção e colheita. “Hoje, mais de 90% da produção de etanol é a partir da cana de açúcar e quando a gente planta a cana a colheita dela normalmente é por ano e meio. Nós não temos elementos para favorecer o crescimento da produção para o ano que vem. Esperamos que ano que vem tenhamos uma produção melhor e maior que esse ano tentando recuperar a produtividade, mas para isso, dependemos das chuvas e questões climáticas, mas com certeza a produção do próximo ano não será superior a produção da safra passada. Nós teremos uma cana mais velha, seca e gelada que ainda tem influência pelo menos na próxima safra”, pontua.

Para se ter uma ideia, este ano, os produtores viram condições climáticas totalmente atípicas e adversas para a colheita. “Você teve um período seco que desde o ano passado prejudicou o desenvolvimento da cana e atrasou um pouco o início desta safra”. Esse foi um fator que inflacionou o preço do produto. “Estamos tendo uma colheita bem menor que o previsto, bem menor que a safra passada”, pontua.

Não bastasse as altas temperaturas, algumas geadas no meio do caminho somatizam os problemas. “Não obstante o ser quente, ainda tivemos três geadas, que é totalmente incomum. Há muitos anos aqui em Goiás não haviam geadas e não tivemos apenas uma, tivemos três. Áreas que nunca haviam sido afetadas, como Goiatuba, Vicentinópolis, Edéia e outros locais. Na região Centro-Sul tivemos uma redução expressiva na safra.”

Por conta dessas geadas, as empresas que trabalham com a cana de açucar tiveram de apressar a colheita. “Eles tiveram que acelerar a colheita porque a uma perda muito grande da sacarola à medida que se demora a processar a colheita. Esse é o cenário e o prejuízo é muito grande porque essa cana colhida não estava colhida não estava necessariamente no ponto de colheita”. André destaca que isso acaba atrapalhando o desenvolvimento da própria cana.

Redução do ICMS não resolve problema do preço do etanol

A possível redução do ICMS sobre o combustível não trará impactos relevantes sob o preço do etanol. Primeiro, para além dos governos estaduais não controlarem o câmbio, os produtores de álcool vivem um momento de final da safra e ela é baixa. “Não tem como você aumentar a produção de uma hora para outra. Mesmo para a próxima safra, praticamente, a cana que vai ser colhida já foi toda plantada”, destaca André.

“Esse é um problema que necessariamente você reduzindo o imposto, não é isso que vai atingir a curto prazo a redução do preço na conta. Até porque, governos estaduais, não controlam o preço cambial, o preço do petróleo é uma commodities, no caso da cana estamos em final de safra”, ressalta.

O que pode ser feito neste momento é colher a cana que está no campo mas não há uma previsão de aumento na produtividade. “Não existe uma política para você falar que você vai conseguir aumentar a produção de açúcar ou de etanol. Não tem como você aumentar a produção de uma hora para outra. Mesmo para a próxima safra, praticamente, a cana que vai ser colhida já foi toda plantada. Você pode ter alguma coisa a mais com relação à produtividade que vai depender muito do clima e você tem um pouco mais de oferta com a produção do milho mas ainda é muito pequena se comparado ai com a oferta do etanol que vem da cana”, destaca.

Então, mesmo com a possível redução de imposto não dá para prever se os preços terão reflexo para o consumidor na ponta da linha. “Você pode ter alguma coisa a mais com relação à produtividade que vai depender muito do clima e você tem um pouco mais de oferta com a produção do milho mas ainda é muito pequena se comparado ai com a oferta do etanol que vem da cana. É muito difícil você falar em qualquer situação de preço mesmo com a redução de impostos neste caso.”

ICMS tem gerado debate e conflito entre poderes.

IBP critica mudanças regulatórias na venda de combustíveis

Representante das grandes distribuidoras de combustíveis, o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) se posicionou a favor da manutenção do atual modelo de funcionamento do mercado de revenda de derivados de petróleo.

Estes são os postos de combustíveis populares e preferidos por brasileiros

Os postos de combustível Petrobras BR, Ipiranga e Shell são as marcas com maior índice de popularidade entre os brasileiros, é o que aponta um estudo realizado pela empresa de pesquisa de satisfação e NPS (Net Promoter Score) SoluCX: as marcas foram citadas por 73,2%, 72,8% e 69,1% dos respondentes da pesquisa, respectivamente.

Guerra política no Brasil e economia mundial devem manter preço da gasolina nas alturas

Economistas dizem que toda vez que o discurso golpista avança, desconfiança cresce e dólar sobe, elevando o preço dos combustíveis. Motoristas de aplicativo dizem que serviço já não compensa diante dos custos.