Imagem: (Mauro Zafalon/Folhapress)

O volume de créditos de descarbonização (CBios) disponíveis no mercado segue crescendo em ritmo constante. Na segunda quinzena de abril, conforme números da B3 – única entidade a atuar como registradora do RenovaBio –, 1,46 milhão de títulos foram disponibilizados, totalizando 2,37 milhões no mês.

No acumulado deste ano, pouco mais de 10 milhões de CBios já foram escriturados, o que corresponde a uma média de 2,5 milhões mensais.

O montante está apenas 33,5 mil títulos abaixo do acompanhamento realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), baseado nas notas fiscais de comercialização cadastradas para gerar o lastro dos créditos. A expectativa é que estes papeis entrem no mercado nos próximos dias.

Atualmente, de acordo com a ANP, 268 unidades participam do RenovaBio; destas, uma fabrica biometano e 23, biodiesel. Dentre as 243 usinas de etanol certificadas, 237 utilizam apenas a cana-de-açúcar, quatro processam milho e cana, uma, apenas milho, e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.

Posse e aposentadoria
Considerando todos os CBios emitidos que ainda não passaram pelo processo de aposentadoria – que os retira de circulação –, há 13,53 milhões disponíveis no mercado. Este volume é suficiente para cumprir 54,4% da meta de compra de créditos pelas distribuidoras em 2021: 24,86 milhões.

Desta quantia, a maior parte está em posse das usinas, que possuem 7,58 milhões de CBios, enquanto as distribuidoras detêm 5,92 milhões. Por fim, investidores sem metas a cumprir possuem 35,7 mil créditos. A posição é relativa a 30 de abril.

Na comparação com a quinzena anterior, as distribuidoras aumentaram sua posição em 19,3%, enquanto as usinas tiveram um acréscimo de 5,9%.

Além disso, 70,31 mil CBios foram aposentados no período, totalizando 396,96 mil no acumulado do ano. Este volume é suficiente para cobrir apenas 1,6% da meta estipulada para 2021 – o prazo das distribuidoras é 31 de dezembro.

Entretanto, a B3 não informa quem solicitou a aposentadoria dos créditos. Assim, é possível que uma parcela seja referente a investidores que não têm compromissos com o programa.

Ainda que esteja previsto que as aposentadorias feitas pelas chamadas “partes não obrigadas” possam ser deduzidas dos objetivos finais do RenovaBio, este mecanismo ainda não foi regulamentado pela ANP, tendo entrado em consulta pública no final de novembro.

Negociação e preços
Na segunda quinzena de abril, a B3 contabilizou 767 negociações de CBios. Conforme os números divulgados, os preços atingiram a média de R$ 30,98 por título no período, ficando 0,7% abaixo da média de 2021 (R$ 30,77) e 22,3% aquém da histórica (R$ 38,86).

“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.

O valor mais alto registrado na quinzena ocorreu em 26 de abril, R$ 32,30; já o mais baixo foi observado no dia 19, R$ 30,50. Apesar de terem ocorrido flutuações ao longo do período, os preços se mantiveram próximos à média, encerrando o mês a R$ 30,79.

O valor está de acordo com uma projeção feita em março pelo Santander. Conforme o banco, os CBios devem seguir em torno de R$ 30 a unidade ao longo do ano, uma vez que produtores de etanol e biodiesel não teriam tanto interesse em vender abaixo deste patamar.

Desde o início da comercialização dos créditos, em junho do ano passado, seu valor oscilou entre R$ 15 e R$ 72. Em 2021, a variação foi menos ampla, indo de R$ 29,50 a R$ 35,70.

Renata Bossle – NovaCana

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