Os preços do petróleo, em particular os do West Texas Intermediate (WTI), continuam extremamente voláteis. Na terça-feira (28) o WTI afundou 20% no contrato futuro com entrega em junho. Logo em seguida, na quarta, saltou mais de 30% graças a notícias de que os EUA planejam flexibilizar as restrições que fizeram com que a demanda petrolífera caísse e de que os estoques de petróleo bruto no país haviam subido menos do que o esperado.

Mesmo assim, tanto a cotação do WTI quanto a do Brent segue bastante pressionada. Os preços do petróleo só se recuperarão significativamente quando a demanda voltar a atingir patamares mais elevados.

Antes dos fechamentos das economias, o consumo mundial de petróleo era de cerca de 100 milhões de barris por dia (bpd). Mesmo que as restrições sejam gradualmente levantadas, serão necessários vários meses até que esse consumo retorne àquele nível. Uma das dificuldades de quem está tentando prever a taxa de crescimento da demanda é a falta de informações precisas sobre a intensidade da queda do consumo até o momento.

No entanto, é preciso monitorar de perto um fator que está influenciando os mercados de petróleo: a oferta. Quaisquer declínios significativos de produção no futuro não conseguirão estimular substancialmente os preços como o crescimento da demanda, haja vista que o excesso de oferta atual é muito grande. Não obstante, a queda na produção de petróleo ajudará a alçar os preços, de forma que podemos esperar pequenos saltos na cotação quando surgirem notícias de que ocorreu uma contração na oferta.

A seguir, apresentamos um quadro de como se encontra a produção e a oferta no momento e o que podemos realmente esperar de alguns dos maiores produtores mundiais de petróleo:

Arábia Saudita

A produção petrolífera saudita atingiu 12 milhões de bpd em abril, mas a Aramco (SE:2222) começou a reduzi-la no início desta semana, preparando-se para cumprir seu compromisso de diminuir a extração para uma média de 8,5 milhões de bpd em maio e junho. Entretanto, como alertei no início deste mês, tudo indica que a Arábia Saudita carregará o excesso de oferta de abril para o próximo mês. Isso está ficando mais evidente, na medida em que clientes norte-americanos cancelaram os pedidos de sete superpetroleiros com óleo saudita carregado em abril. Mesmo assim, nossa expectativa é que a Arábia Saudita cumpra plenamente seu compromisso com a Opep+ nos meses de maio e junho. Historicamente, a Arábia Saudita mantém seus compromissos com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), além do fato de que a Aramco não enfrenta dificuldades logísticas para cortar sua produção.

Rússia

A Rússia concordou em diminuir sua produção petrolífera em 2 milhões de bpd em média durante os meses de maio e junho, mas a implementação desses cortes enfrenta grandes desafios. De acordo com uma reportagem do Wall Street Journal, os oleodutos na Sibéria correm o risco de congelar nos próximos dois meses se não transportarem petróleo suficiente. Além disso, pode ser extremamente complexo e custoso retomar a produção de poços antigos caso esta seja interrompida.

A Rússia possui diversos produtores de petróleo, e a ideia é que eles compartilhem os cortes proporcionalmente. Ocorre que alguns desses produtores já estão fazendo lobby com o ministro de energia do país para obter isenções. Uma empresa da Rússia, a Tatneft (MCX:TATN), anunciou planos de fechar 40% dos seus poços, mas outras companhias não forneceram quaisquer informações sobre como planejam cumprir o plano. Em razão dos desafios logísticos e de engenharia, sem perder de vista o histórico da Rússia de não cumprir seus compromissos com a Opep+, a expectativa é que realmente haja algum declínio na produção russa, mas não os 2 milhões de bpd acordados.

Kuwait

De acordo com a S&P Global Platts, o Kuwait produziu 2,9 milhões de bpd em março. O país se comprometeu a reduzir sua produção em 23% e começou a fazê-lo no dia 23 de abril.

Brasil

O Brasil não fez qualquer compromisso de restringir sua produção de petróleo na reunião de energia do G20 realizada no dia 10 de abril. O Brasil não é membro da Opep+. O comunicado formal do G20 declarou simplesmente que seus membros tomariam “todas as medidas necessárias e imediatas para garantir a estabilidade do mercado de energia”. Inicialmente, a Petrobras (NYSE:PBR) planejava diminuir a produção em 200.000 bpd a partir de 1 de abril, mas, no dia 28, a empresa decidiu ainda não implementar esses cortes, citando a forte demanda do seu petróleo no primeiro trimestre.

Estados Unidos

Os Estados Unidos começaram o ano de 2020 como o maior produtor mundial de petróleo, extraindo em média 13 milhões de bpd. No dia 29 de abril, a Administração de Informações Energéticas (EIA, na sigla em inglês) informou que a produção petrolífera na semana encerrada em 24 de abril foi de 12,1 milhões de bpd. No início deste mês, a EIA previa que a produção petrolífera no país poderia sofrer uma queda de 2 milhões de bpd, mas há razões para duvidar da precisão desse prognóstico. Com base nas informações de empresas de energia dos EUA, a Rystad Energy projetou que a extração no país teria uma queda de 300.000 bpd nos meses de maio e junho.

A produção pode cair ainda mais se a Comissão de Ferrovias do Texas (TRC, na sigla em inglês) votar a favor de uma redução de 20% na oferta do estado. O Texas pode obrigar o corte por meio da aplicação de uma multa de US$ 1.000 por barril. A comissão integrada por três membros votará sobre a proposta depois de outra audiência no dia 5 de maio. Um comissário apoia a proposta, outro se declarou contra recentemente e o terceiro não deve apoiá-la, mas não deixou claro em que direção dará seu voto. Órgãos reguladores de Oklahoma e Dakota do Norte podem em breve analisar regulamentações similares, embora um voto contrário da TRC à regulação dos cortes possa fazer com que esses outros dois estados sigam na mesma direção.

Canadá

A produção petrolífera canadense enfrentou sérios desafios nos últimos anos, em razão dos gargalos de transporte que evitaram que grande parte do petróleo do país chegasse ao mercado. De acordo com algumas previsões, a produção canadense deve encolher cerca de 1 milhão de bpd naturalmente sem qualquer imposição de corte, embora as empresas não tenham fornecido números oficiais.

Noruega

A produção petrolífera da Noruega é gerenciada centralmente pela Equinor (OL:EQNR) e é de cerca de 2,1 milhões de barris por dia. Em 21 de abril, o ministro de energia da Noruega declarou que o país não havia tomado qualquer decisão em relação a cortar voluntariamente sua extração, mas, oito dias depois, anunciou que implementaria cortes de 250.000 bpd a partir de junho e de 134.000 bpd no segundo semestre de 2020.

Fonte: Investing.com

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