Em março, analistas esperavam que a Opep+ fosse elevar a produção em 1,5 milhão de barris por dia (Imagem: Stefan Wermuth/Bloomberg)

A Opep e aliados devem reafirmar os planos de aumentar a produção de petróleo quando se reunirem na próxima semana, devolvendo ao mercado um pouco mais dos barris retirados durante a pandemia.

Todos, exceto quatro entre 24 analistas e operadores consultados pela Bloomberg, projetam que a Opep+ vai confirmar um aumento de 840 mil barris por dia programado para julho, completando um processo de três fases para repor pouco mais de 2 milhões de barris em meados do ano.

Vários delegados da Opep+, que falaram sob anonimato, disseram o mesmo.

A aliança, liderada pela Arábia Saudita e Rússia, reduziu a produção no ano passado quando a pandemia encolheu a demanda por combustíveis, o que ajudou a resgatar a indústria global de petróleo.

Com a retomada do consumo na China e nos EUA, produtores reabrem cuidadosamente as torneiras.

Por enquanto, os mercados de petróleo absorveram sem problemas os barris extras, sendo que os preços ultrapassaram US$ 70 o barril em Londres na semana passada pela primeira vez em dois meses.

Desde então, os futuros do Brent recuaram um pouco em meio ao impacto do surto de coronavírus na Índia.

O vice-primeiro-ministro da Rússia, Alexander Novak, estima que a demanda mundial por petróleo supera a oferta em cerca de 1 milhão de barris por dia, segundo informações divulgadas na quarta-feira pela agência de notícias Interfax.

Incertezas
Ainda assim, muitos dos especialistas consultados disseram que a decisão da aliança ainda está condicionada a incertezas sobre o Irã.

Os governos de Teerã e Washington conduzem negociações que podem suspender as recentes sanções dos EUA à República Islâmica e permitir o retorno de volumes significativos de petróleo iraniano aos mercados mundiais.

Como resultado, quase todos os participantes da pesquisa acreditam que quando a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e parceiros se reunirem em 1º de junho, é improvável que anunciem planos para os níveis de produção além de julho.

A Opep+ frequentemente surpreende observadores do mercado, especialmente sob a liderança do ministro de Energia da Arábia Saudita, Abdulaziz bin Salman, que explicitamente busca complicar as estratégias de especuladores.

Em março, analistas esperavam que a Opep+ fosse elevar a produção em 1,5 milhão de barris por dia, mas o grupo decidiu manter os limites.

Um mês depois, a expectativa era de que a aliança deixasse a produção estável, mas, no entanto, anunciou o aumento da produção em fases agora em andamento.

Assim que o processo de reposição da produção for concluído, o grupo de 23 países ainda planeja manter cerca de 5,8 milhões de barris de produção diária fora do mercado. O volume corresponde a cerca de 6% da oferta global.

Embora a Opep+ tenha se comprometido formalmente a manter esses barris ociosos até abril do próximo ano, analistas esperam que os produtores utilizem suas reservas excedentes, pois a demanda deve continuar a se recuperar no segundo semestre.

O debate sobre a reposição do restante provavelmente ganhará força na próxima reunião do grupo.

Fonte: Reuters

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