Os preços subiram bem acima da banda superior de Bollinger, sinalizando que uma retração era quase inevitável (Imagem: Pixabay)

Para os que vinham acompanhando os indicadores técnicos do petróleo neste mês, a mensagem era clara: os preços haviam subido rápido demais.

A decisão da Opep+ de limitar a produção no início do mês, posições com apostas de alta de fundos de hedge no maior nível em mais de um ano e um ataque contra um complexo petrolífero da Arábia Saudita levaram a cotação do petróleo tipo Brent acima de US$ 70 o barril pela primeira vez em mais de um ano.

Os preços subiram bem acima da banda superior de Bollinger, sinalizando que uma retração era quase inevitável. Ao mesmo tempo, refinarias de combustíveis ao longo da Costa do Golfo dos EUA tentavam se recuperar do impacto da onda de frio no mês passado e o ritmo das exportações de petróleo desacelerou, pesando sobre a demanda de curto prazo.

E assim, na quinta-feira, o rali de 30% do petróleo neste ano pisou no freio. Os contratos futuros do petróleo WTI despencaram até 9,9%. O fortalecimento do dólar e as notícias de atraso da vacinação em algumas partes do mundo pesaram ainda mais no mercado, assim como a típica reversão de posições compradas em meio a grandes quedas de preços.

Mas ninguém está dizendo que o rali acabou.

Giovanni Staunovo, analista de commodities do UBS, diz: “Algum revés” estava fadado a acontecer no caminho para uma recuperação de longo prazo. Mas, “com a Opep e aliados adotando uma abordagem cautelosa sobre a produção, o mercado de petróleo deve ficar com pouca oferta e os preços do petróleo vão se recuperar novamente”, disse.

Entre as mudanças mais destacadas no mercado de petróleo este ano é o movimento da curva de futuros do petróleo para um padrão de alta chamado de “backwardation” (quando o preço do petróleo para entrega imediata supera as cotações para entrega em data futura). Esse padrão se manteve.

O backwardation é uma indicação-chave de que a demanda está se fortalecendo e os suprimentos mais apertados. Com isso, os contratos para entregas mais próximas são negociados com prêmio em relação às de prazo mais longo: os clientes querem petróleo o mais rápido possível e estão dispostos a pagar por isso. Mas esse padrão também pode mudar se a onda vendedora se consolidar nos próximos dias.

“A curva de backwardation simplesmente não está tão inclinada quanto antes”, disse Tariq Zahir, gerente do programa macro global da Tyche Capital Advisors.

“Posições compradas em energia têm sido o ‘trade’ da reabertura desde 1º de janeiro deste ano”, disse Zahir. Agora, segundo ele, é o momento de realizar lucro.

As taxas de processamento de petróleo no Golfo dos EUA estão em cerca de 80% dos níveis vistos antes da tempestade de inverno atingir a região, e as refinarias não têm pressa de aumentar a produção devido aos estoques maiores do que o normal.

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