Bomba-relógio: reajuste do diesel derrubou presidente da Petrobras para evitar protestos de caminhoneiros (Imagem: REUTERS/Sergio Moraes)

Trocar o comando da Petrobras (PETR3; PETR4) pode ser o jeito mais fácil de o presidente Jair Bolsonaro impedir novos reajustes dos combustíveis e agradar os caminhoneiros, mas os próprios mecanismos de mercado seriam capazes de reduzir o preço do diesel entre R$ 0,20 e R$ 0,42 por litro.

A conta é da Ágora Investimentos. Vicente Falanga e Ricardo França, que assinam o relatório da gestora, afirmam que a esperada alta da taxa básica de juros (Selic) atrairia os investidores internacionais para o Brasil e, com eles, os dólares que permitiriam à Petrobras reduzir o preço dos combustíveis, mesmo que o barril do petróleo suba.

A possibilidade de a Selic voltar a subir com força, neste ano, é cada vez mais considerada pelos analistas. O Boletim Focus desta semana, publicado pelo Banco Central, mostra que, na média, o mercado acredita que a taxa encerre 2020 em 4% ao ano – o dobro da atual.

Há quem aposte numa alta ainda maior. A equipe econômica do Itaú Unibanco (ITUB4), por exemplo, afirma, em relatório desta sexta-feira (12), que já vê a Selic em 5,5% neste ano. O banco também estima que o dólar encerre dezembro em R$ 5,30.

Os analistas da Ágora não chegam a fornecer sua projeção para os juros. Eles relativizam, também, o poder de atração que uma Selic mais alta terá sobre os investidores, já que o risco fiscal está maior. De qualquer modo, eles creem que “algum impacto positivo deve acontecer.”

Cenários
No caso dos combustíveis, a gestora calcula que, se o câmbio voltar para R$ 5, a Petrobras teria condições de absorver um aumento do barril de petróleo tipo Brent para até US$ 75, e manter o preço do diesel no atual patamar de R$ 2,85 por litro.

Mas, “se os preços do Brent ficarem nos níveis de US$ 65 a US$ 70, isso permitiria um corte de R$ 0,20 por litro, ou cerca de 8%”, avaliam.

Os caminhoneiros ficariam ainda mais felizes com a estatal, se o dólar se aproximasse de R$ 4,50. Nas contas da Ágora, nesse caso, o barril tipo Brent poderia subir para US$ 85, que o diesel não seria reajustado. Além disso, se ele se mantivesse no atual patamar de US$ 65 a US$ 70, permitiria um corte de R$ 0,42 por litro de diesel.

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