O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou nesta sexta-feira (8) que a estatal prepara para 2020 nova oferta de ações da BR Distribuidora, com o objetivo de reduzir ainda mais sua fatia na empresa. 

Em duas ofertas desde 2017, a Petrobras deixou de ser a única acionista para uma participação de 41,25%. Com as operações, arrecadou R$ 13 bilhões, como parte de seu plano de venda de ativos para pagar dívidas.

“Vamos ficar mais minoritários ainda, porque temos em mente no próximo ano fazer outra operação de mercado de capitais e reduzir substancialmente a nossa participação”, disse Castello Branco, em evento na FGV.

Logo da Petrobras no Rio de Janeiro – Sergio Moraes/Reuters

A BR é a maior distribuidora de combustíveis do país. Com a redução da fatia da Petrobras, frisou Castello Branco, “não há mais nenhuma distribuidora de combustíveis estatal no país”.

Na quinta (7), a Petrobras anunciou a conclusão das negociações para a venda, por R$ 3,7 bilhões, da distribuidora de gás de cozinha Liquigás para consórcio formado pela Copagaz, Itausa e Nacional Gas Butano.

“Não teremos mais nenhuma estatal na distribuição de gás liquefeito de petróleo. Aquele gás de cozinha que atende ao consumo da maioria dos brasileiros e ao consumo industrial. A Petrobras está fora”, afirmou.

Também presente ao evento, o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, defendeu o programa de privatizações do governo e disse que o brasileiro está menos resistente à venda de estatais.

Esta semana, o governo levou ao Congresso projeto que permite a privatização da Eletrobras, sob o argumento de que a empresa precisa de capital para voltar a investir e não perder participação de mercado.

“Se nós não privatizarmos a Eletrobras, estaremos cometendo um crime contra o povo brasileiro”, afirmou ele. 

Castello Branco concordou com maior apoio a privatizações. Ele contou que foi a pé à bolsa de São Paulo para a última operação da BR e “não tinha um só manifestante”. 

“Ninguém quis me dar um chute”, brincou, referindo-se a foto famosa publicada durante a privatização da Vale em que um manifestante acertava um chute em um investidor.

Fonte: Folha de São Paulo

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