Petrobras: pressão sobre o preço dos combustíveis pode atrapalhar planos

As discussões acerca da política de preços dos combustíveis continuam trazendo preocupações para a Petrobras. Além do impacto direto nas ações da companhia, a petroleira pode ter desafios para negociar o valor das suas oito refinarias que estão à venda.

A Petrobras detém atualmente quase 100% do refino no Brasil e sua política de reajustes de preços acaba impactando toda a economia. No entanto, ao abrir mão de metade de suas refinarias, como contempla o atual programa de venda de ativos da empresa, a dependência do mercado de combustíveis em relação à Petrobras tende a ser diluída.

Enquanto isso não acontece, os investidores que levarem as primeiras refinarias terão que passar necessariamente por um período de maturação do novo mercado de combustíveis que deve se formar no país, com menos influência direta de uma só empresa.

Ainda assim, neste horizonte, qualquer sinal de ingerência do governo federal na gestão da empresa pode trazer riscos ao ambicioso plano de desinvestimentos da estatal.

“Declarações sobre reajustes vindas do presidente da República podem gerar um clima de incertezas quanto à autonomia da Petrobras. É um ruído desnecessário. O investidor pode olhar isso de forma negativa, possivelmente impactando no valor de ativos como refinarias”, afirma Walter de Vitto, analista de petróleo e gás da Tendências Consultoria.

Para Rivaldo Moreira Neto, sócio da Gas Energy Consultoria, a tendência é que as discussões acerca da política de preços dos combustíveis impactem cada vez menos o mercado, entretanto, o risco maior fica para os compradores das primeiras refinarias da Petrobras. “O investidor certamente levará em conta o histórico da política de preços da companhia para fazer uma oferta, o que pode influenciar na valoração do ativo.”

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