Os preços do petróleo parecem ter superado os fundamentos negativos de 2020 e passaram a refletir visões otimistas de que haverá uma retomada da demanda em 2021.

De fato, há diversas razões para acreditar que a cotação da commodity acelerará no ano-novo, mas também há razões para ter cautela. Examinamos abaixo os argumentos a favor de cada visão:

Argumentos de alta

  1. Notícias sobre vacinas contra o coronavírus: Os contratos futuros de petróleo estão em disparada, graças a notícias positivas de que uma ou mais vacinas contra o coronavírus podem estar amplamente disponíveis até o fim do 1º tri de 2021 e que isso permitirá um retorno aos padrões de viagem e de uso de petróleo de antes da pandemia.
  2. Demanda de compradores da Ásia: O sentimento positivo está sendo alimentado pela nova demanda de compradores na Ásia, já que a China emitiu recentemente uma nova rodada de cotas de exportação de combustíveis refinados para o restante de 2020.

As refinarias chinesas haviam usado suas cotas de exportação em setembro, como informou esta coluna, o que provocou um acúmulo de óleo bruto para entrega que as refinarias não queriam aceitar. Agora, graças às novas cotas chinesas, essas refinarias podem começar a usar esse petróleo.

Com isso, a expectativa é que haja uma queda no armazenamento de petróleo naquela região.

  1. Extensão de cotas de produção na Opep+: A decisão da Opep+ de estender suas cotas atuais de produção por pelo menos 3 meses a partir do início de 2021 também ajudará a manter os preços em alta. (A decisão final da Opep+ sobre a prorrogação por 3 ou 6 meses ocorrerá na próxima semana, na reunião de 30 de novembro a 1 de dezembro).

Entretanto, o mercado apresenta algumas áreas de fragilidade que podem desacelerar ou mesmo reverter a disparada dos preços.

Argumentos de baixa

  1. Interrupções e fechamentos de refinarias: O próximo fechamento das refinarias nos EUA e Europa significa que haverá mais petróleo no mercado.

De acordo com a Reuters, a Royal Dutch Shell (NYSE:RDSa) pode fechar a refinaria que processa 200.000 barris por dia (bpd) em Convent, Louisiana, já na próxima semana, e a lista de refinarias operando em taxas reduzidas ou com interrupções temporárias ou permanentes na Europa está aumentando (Confira esta lista da Platts).

As refinarias estão fechando por diversas razões, como: preocupações com lucratividade, demanda incerta e planos de conversão para produção de biocombustível.

  1. Extensão da cotas de produção da Opep+: Existe a possibilidade de que na próxima semana a Opep+ só decida prorrogar suas atuais cotas de produção por três meses, em vez de seis, ou seja, 2 milhões a mais de bpd de oferta podem chegar ao mercado em março de 2021. Se a Opep+ decidir por três meses, o mercado provavelmente reagirá em março, mesmo que o sentimento da semana seguinte seja ditado por expectativas já incorporadas.

Esse fator, em conjunto com a produção cada vez maior da indústria de shale oil nos EUA, pode segurar a alta dos preços, principalmente se a demanda não aumentar como o mercado espera.

  1. Menores viagens no feriado de Ação de Graças: A diminuição das viagens é responsável pela maior parte da fraqueza da demanda petrolífera, e o futuro do setor ainda é desconhecido. Autoridades alertam os americanos para não viajar no feriado de Ação de Graças nesta semana. A véspera desse dia festivo costuma ser a data de maior número de viagens no ano.

O Dia de Ação de Graças do ano passado bateu recorde de viagens, quando a agência americana de transportes registrou o maior número de passageiros de todos os tempos. A maioria das manchetes informa que milhões de americanos vão viajar no feriado, apesar dos alertas das autoridades. A verdade, no entanto, é que os deslocamentos no feriado deste ano serão muito menores.

A Associação Automotiva Americana prevê uma diminuição de 5% em todas as viagens relacionadas ao Dia de Ação de Graças, em comparação com o ano passado, e de 50% nas viagens aéreas. Além disso, as recentes restrições e advertências dos governos podem restringir ainda mais as viagens.

A expectativa é que haja um salto no consumo de gasolina em comparação com as últimas semanas, mas é preciso ter em mente que a demanda será significativamente menor do que no ano passado. O Dia de Ação de Graças é um evento único e deve ser comparado com os anos anteriores, e não com outros períodos de 2020.

  1. Redução de viagens de Natal: Não está claro quantas pessoas nos EUA, Europa e outras partes do mundo viajarão para o feriado de Natal, que ocorre no próximo mês. Os dados do Dia de Ação de Graças servirão de termômetro para sabermos como serão as viagens de Natal nos EUA.

Na Europa, onde muitas economias importantes continuam em lockdown, a expectativa é que os governos flexibilizem os bloqueios a tempo de permitir que as famílias viagem para o Natal. O Reino Unido já anunciou que as restrições serão relaxadas com esse propósito. O que ainda não se sabe é quantas pessoas se sentirão confortáveis em viajar e se serão capazes de se deslocar para outros países nas férias.

  1. Obstáculos para a recuperação das viagens aéreas: Ao analisar quando as viagens internacionais podem retornar – e, com elas, a demanda de combustível de aviação – a Associação Internacional de Transporte Aéreo prevê que não voltaremos aos níveis de 2019 até 2024. Mas espera registrar 2,8 bilhões de passageiros aéreos em 2021, ou seja, um bilhão a mais do em 2020.

Haverá obstáculos ao longo do caminho, principalmente em relação à acessibilidade das vacinas de coronavírus às populações globais dispostas a receber esses imunizantes.

O diretor da australiana Quantas Airlines afirmou que a companhia planeja perguntar aos viajantes internacionais se receberam a vacina contra o coronavírus antes de embarcarem em seus aviões. O executivo acredita que isso se tornará comum entre as companhias aéreas internacionais.

A exigência de vacinação pode fazer com que os passageiros se sintam mais à vontade para embarcar nos aviões, mas pode representar uma barreira importante para a recuperação se os passageiros se recusarem a se vacinar.

Fonte: Investing.com

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