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A produção e exportação do petróleo do Irã devem estar no centro das preocupações dos observadores do mercado, já que o governo Biden avança nas negociações com o país persa.

No entanto, os investidores devem estar preparados, pois, se o governo Biden levantar a sanções ao petróleo iraniano, a reação do mercado pode não ser aquela que eles esperam.Petróleo SemanalPetróleo Semanal

Em maio de 2018, quando o governo Trump anunciou a retirada dos Estados Unidos do plano conjunto de ação e restabeleceu as sanções ao petróleo do Irã, o mercado já estava preparado.

Os preços do petróleo não subiram tanto inicialmente com a notícia, pois a decisão já estava precificada.  Contudo, nos meses subsequentes, a produção petrolífera do Irã sofreu uma queda.  

Vale lembrar que, durante o período das sanções, as exportações petrolíferas do país persa jamais cessaram, embora tenham caído abaixo de 1 milhão de barris por dia (mbpd) em determinados momentos.

A redução do petróleo iraniano teve impacto no mercado no final de 2018, com a elevação dos preços nos meses de julho, agosto e setembro . De fato, naquele momento, alta dos preços fez com que o presidente Trump pressionasse a Opep+ a relaxar seus cortes de produção. A resposta da Rússia e da Arábia Saudita foi injetar mais petróleo no mercado durante os meses de verão.

Atualmente, o mercado está acompanhando uma situação diferente, mas comparável.  A demanda de petróleo ainda está desequilibrada por causa da resposta à pandemia global, por isso a Opep+ está produzindo e vendendo menos do que a sua capacidade de abastecimento.

No momento de governo Biden e o regime iraniano iniciam tratativas, está claro que as  sanções petrolíferas da era Trump estarão sobre a mesa. O que não está claro, entretanto, é como ou quando tais restrições serão relaxadas. A mensagem do governo Biden sobre o assunto tem sido inconsistente. A falta de clareza faz com que o mercado não saiba o que esperar.

Durante a campanha presidencial nos Estados unidos, o então candidato Joe Biden afirmou que queria colocar seu país e o Irã de volta no plano de ação. Desde que assumiu a presidência, o governo de Biden não avançou significativamente nesse sentido.

Logo após o novo presidente assumir o cargo, a Secretária do Tesouro, Janet  Yellen, afirmou que as sanções poderiam ser levantadas caso o Irã se comprometesse novamente com as políticas nucleares previstas no plano de ação conjunto. Ao que o Irã respondeu que sua adesão não aconteceria até que os Estados Unidos retirassem primeiro as sanções ao seu petróleo.

Entretanto, no início de abril de 2021, o Departamento de Estado emitiu um comunicado que parecia indicar que sua posição sobre as sanções petrolíferas não estavam escritas em pedra. O porta-voz do Departamento de Estado afirmou o seguinte:

“Estamos preparados para dar os passos necessários à retomada do plano conjunto de ação, inclusive removendo as sanções inconsistentes com a iniciativa.”

Embora tenha-se recusado a dar mais detalhes, não é desarrazoado dizer que as sanções petrolíferas da era Trump possam ser interpretadas como “inconsistentes com a iniciativa”.  Com base em sua mensagem, tudo indica que os observadores do mercado petrolífero devem, no mínimo, estar preparados para a possibilidade de que o governo Biden possa levantar, senão todas, pelo menos parte das sanções petrolíferas ao Irã como pré-condição para as negociações.

No início de 2021, a produção de petróleo do Irã encontrava-se relativamente constante em torno de 2 mbpd (segundo a agência Platts). Suas exportações entre setembro e dezembro de 2020 variaram de 1.03 a 1.15 mbpd (de acordo com o portal TankerTrackers.com). No início de 2021, o ministro do petróleo do Irã, Bijan Zangeneh, afirmou que seu país pretendia dobrar sua produção e elevar suas exportações para 2,3  mbpd. O dobro da produção de petróleo no Irã significa que o país espera atingir seu nível máximo de extração de 4 mbpd.

As exportações do país, de acordo com TankerTrackers.com, revela que o Irã está-se atendo a seus compromissos de produção e exportação – até agora. Em janeiro, o país exportou 1,5 mbpd, um aumento de 450.000 bpd desde dezembro. Em fevereiro, o país exportou 1.3 mbpd e, em março, esse número saltou para 1,8 mbpd. A produção também cresceu, de 2,04 mbpd, em dezembro, para 2,3 mbpd, em março.

Claramente, o Irã não está aguardando uma permissão dos Estados Unidos para elevar suas vendas clandestinas de petróleo. O que isso significa para o mercado é que, se – ou quando – as sanções forem relaxadas e o Irã conseguir vender seu petróleo livremente, o mercado não enfrentará um aumento repentino e significativo de oferta.

Ou seja, a cotação do petróleo não deve cair tanto com base na notícia do relaxamento das sanções. Por outro lado, não é infrequente uma reação exagerada dos operadores sem uma compreensão plena do mercado.

Existe outro ponto que contradiz a lógica tradicional e pode provocar preços mais elevados caso as sanções sejam relaxadas. Nessa hipótese, os clientes clandestinos do Irã se deparariam com preços mais elevados. Neste momento, o Irã vende petróleo com bastante desconto, pois essas transações podem gerar uma reação do governo americano. Se as sanções, de fato, forem relaxadas, não haveria qualquer razão para o Irã oferecer descontos.

Portanto, é possível que a remoção das restrições ao petróleo iraniano resultem em preços mais altos para a venda de petróleo físico.

Fonte: investing.com

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