Preço do diesel mais que dobrou em oito anos, segundo ANP

O preço médio de revenda do óleo diesel ao consumidor brasileiro mais que dobrou nos últimos oito anos. A informação foi levantada pela CNN, nesta terça-feira (25), com base em dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Em janeiro de 2014, o valor de revenda do combustível ao consumidor era de R$ 2,485, segundo o ‘relatório de defesa da concorrência’ da ANP. No mesmo mês de 2022, o preço médio gasto pelo consumidor por cada litro do óleo foi de R$ 5,582. Trata-se de um aumento de 125% no período.

Caso o combustível, usado principalmente por caminhoneiros, continue em tendência de alta, a expectativa é encarecer, cada vez mais, de forma indireta outros produtos comercializados no mercado interno. É o que afirma o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Joelson Sampaio.

“O impacto do combustível para o consumidor é visto pela inflação. Podemos perceber que grande parte dos produtos brasileiros são distribuídos por rodovias, nosso principal modal interno. E com o preço do diesel alto, o valor do frete fica cada vez mais caro, logicamente encarecendo os produtos para o consumidor final”, finalizou o economista.

Sampaio também explicou à CNN os motivos da alta no preço do diesel ao longo dos últimos anos. Entre os principais fatores estão o custo do petróleo e a desvalorização do real.

“O preço do diesel é explicado pelo aumento da comodity petróleo, que apresentou uma grande oscilação durante esse período e aumentou também recentemente. Outro fator fundamental é o câmbio, que afeta diretamente o mercado de combustível, até porque a Petrobras regula seu preço a partir da paridade com o barril do petróleo internacional”, destaca.

A CNN também entrou em contato com a Associação Nacional de Transporte do Brasil (ANTB), que criticou os ‘constantes’ reajustes no preço do óleo.

Segundo o presidente da ANTB, José Roberto, a política de precificação utilizada pela Petrobras, fazendo menção à paridade internacional, precisa ser revista de forma ‘imediata’. O Preço de Paridade de Importação (PPI) foi adotado pela estatal no início de 2016, e vincula o valor do insumo no Brasil ao combustível internacional.

“Estamos alertando isso há anos. Enquanto o preço do combustível brasileiro estiver alinhado à paridade internacional, não vamos mudar esse cenário. A categoria está alertando há anos. Esse cenário não é novidade para os caminhoneiros, estamos percebendo esses aumentos consecutivos há muito tempo. Os reajustes são constantes e a paridade precisa ser revista de forma imediata”, enfatizou José Roberto.

Procurada para responder os comentários feitos pelo presidente da ANTB, a Petrobras ainda não se manifestou.

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