A Petrobras anunciou nesta terça (26) mudanças em sua política de preços para o diesel, que passará a ter reajustes em um prazo mínimo de 15 dias. A decisão foi aprovada pela diretoria da estatal em reunião na segunda (25).

É a segunda mudança na periodicidade dos preços desde que a política de reajustes diários foi estabelecida, em 2017. Este modelo foi bastante criticado em 2018, em um processo que culminou com a greve dos caminhoneiros.

Em nota, a Petrobras afirmou que manterá a política de acompanhamento das cotações internacionais, mas que os reajustes se darão em “períodos não inferiores a 15 dias”. No texto, a estatal não explica as razões para a mudança, que pegou de surpresa o mercado.

Ao contrário de outros momentos de mudanças na política de preços dos combustíveis, a companhia não agendou entrevista para explicar a medida.

O anúncio foi feito em meio a uma nova onda de insatisfação dos caminhoneiros com o aumento no preço do combustível. Há uma semana, o presidente Jair Bolsonaro disse no Twitter que buscava uma solução para o problema.

“Sabemos que uma das principais reclamações do brasileiro é o preço dos combustíveis e temos conversado com os ministérios responsáveis para absorver tal demanda e até poder diversificar”, afirmou o presidente, que vem criticando também a carga tributária sobre os combustíveis.

Na esteira da elevação das cotações internacionais do petróleo, o preço do diesel nas refinarias subiu 18,5% em 2019.

Nas bombas, porém, o repasse ainda é pequeno, de acordo com dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis). Em média, litro do diesel no país foi vendido a R$ 3,540 na semana passada, apenas 2,5% acima do verificado na última semana de 2018.

A política de reajustes diários foi implantada em julho de 2017 pelo então presidente da Petrobras Pedro Parente. Com a escalada dos preços internacionais no primeiro semestre de 2018, passou a ser atacada inclusive por aliados do governo.

Em maio, após pedido de renúncia de Parente, o governo Temer lançou um programa de subvenção aos preços, que garantia ressarcimento a empresas que se dispusessem a vender o combustível a um valor tabelado pela ANP.

O programa foi encerrado em dezembro. Até agora, a ANP já pagou R$ 6,7 bilhões em ressarcimentos – o valor deve superar os R$ 7 bilhões.

Com o fim do programa, a Petrobras decidiu segurar reajustes do diesel, como já vinha fazendo com a gasolina desde outubro de 2018. A empresa alega que pode usar mecanismos de proteção financeira – conhecidos como hedge – para evitar prejuízos.

Fonte: Folha de S.Paulo

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