Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 23 a 29 de maio:

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  1. Preço médio da gasolina nas cidades pesquisadas subiu 0,21%, enquanto o do etanol caiu 0,02%
  2. Na média nacional, o valor do combustível renovável correspondeu a 77,1% do preço de comercialização do fóssil
  3. O consumo de etanol não é economicamente vantajoso em todo o país
  4. O hidratado caiu nas principais usinas mato-grossenses, goianas e paulistas
  5. O levantamento de preços da ANP foi realizado em 250 municípios, 11 a mais do que na semana anterior

A semana de 23 a 29 de maio apresentou um cenário diferente do observado no último mês para os preços dos combustíveis nos postos do país. Após registrar sucessivos aumentos, o valor médio do hidratado nas bombas registrou uma pequena queda.

De acordo com o levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no período, o preço médio do etanol caiu 0,02%, passando de R$ 4,362 por litro para R$ 4,361/L. A redução na média é consequência da queda em importantes estados produtores, como São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso.

Nas usinas, o movimento foi semelhante, mas de maior impacto. Conforme os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, em São Paulo, o hidratado caiu 1,11% na semana de 24 a 28 de maio, indo de R$ 2,9107/L para R$ 2,8783/L, em média. Em Goiás, a queda foi de 3,36% e, em Mato Grosso, de 0,67%.

Já o preço médio da gasolina nos postos segue a tendência de aumentos observada desde abril, atingindo R$ 5,653/L na análise mais recente. No comparativo semanal, o acréscimo foi de 0,21%.

Com estas variações, a relação entre os preços dos combustíveis registrou a primeira queda em seis semanas. A redução de 0,26% no indicador fez com que ele chegasse a 77,1%, ainda acima do limite comercialmente estabelecido como favorável para o etanol, de 70%, e o segundo maior valor do ano.

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É importante reiterar que essas comparações não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.

Na semana analisada, foram levantados os postos de 250 municípios, 11 a mais do que os do período anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.

Variações nos estados

Na semana de 23 a 29 de maio, os preços do etanol nos postos subiram na média de 20 estados e na do Distrito Federal, caindo nos seis restantes. Já a gasolina apresentou queda em nove estados.

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São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol no país, registrou o preço médio de R$ 4,159/L para o renovável, queda de 0,41% entre as análises mais recentes e a primeira em seis semanas. A gasolina, por sua vez, subiu 0,32%.

Com isso, a relação entre os preços caiu para 77,1%, ainda acima do limite comercialmente estabelecido e desfavorável para o etanol. A pesquisa foi feita em 94 cidades paulistas, dez a mais do que na semana anterior.

Já Mato Grosso apresentou não só uma maior queda para o hidratado, de 0,63% – levando o valor a R$ 4,083/L, o menor da análise –, como também a melhor relação entre os preços dos combustíveis na semana, de 72%.

Mesmo acima de 70%, o indicador apresentou queda no comparativo semanal graças ao aumento de 0,04% no valor da gasolina. No estado, a pesquisa foi realizada em cinco cidades, o maior número desde o retorno da pesquisa de preços da ANP, em outubro do ano passado.

Já Minas Gerais foi o estado que apresentou a maior redução no preço médio do hidratado na pesquisa, de 0,82%, chegando a R$ 4,483/L. Com a queda de 0,32% para a gasolina, a relação entre eles foi para 76,2%, desfavorável para o etanol. A pesquisa foi feita em 21 municípios mineiros, dois a menos no comparativo semanal.

Paraná foi outro estado onde o valor médio renovável caiu no período, porém apenas 0,02%, ficando em R$ 4,398/L. Como a gasolina subiu 0,35%, a relação entre os valores diminuiu para 81,3%, acima do limite comercialmente estabelecido como vantajoso. No estado, o número de cidades pesquisadas foi para 17, uma a mais no comparativo semanal.

Goiás, por outro lado, apresentou o aumento de 1,17% no preço médio do etanol nas bombas. Com R$ 4,481/L, ele correspondeu a 75,3% do valor da gasolina, que subiu 0,81%. Na semana, foram pesquisadas sete cidades goianas, uma a mais do que na anterior.

Já Mato Grosso do Sul registrou o acréscimo de 1,3% no valor do renovável, que chegou a R$ 4,518/L. Como a gasolina subiu 0,79%, a relação entre os preços foi para 78,6%, acima do limite estabelecido em 70% e novamente maior do que a da semana anterior.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 23 e 29 de maio, 250 cidades foram pesquisadas, 11 a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está bem abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

Rafaella Coury – NovaCana

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