Preço nos postos: Relação entre etanol e gasolina supera 80% na média nacional

Enquanto o preço do combustível renovável cresceu 0,37% nas bombas, o de seu concorrente fóssil caiu 0,01%

Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 14 a 20 de novembro:

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  1. O preço médio da gasolina diminuiu 0,01% nas cidades pesquisadas, enquanto o do etanol aumentou 0,37%
  2. O consumo de etanol é considerado economicamente desvantajoso em todos os estados do país
  3. O valor do hidratado caiu nas principais usinas mato-grossenses, paulistas e goianas
  4. Levantamento de preços da ANP foi realizado em 350 municípios, uma a menos do que na semana anterior

Após seis semanas de aumentos na média nacional, o preço da gasolina teve uma breve redução de 0,01%. O valor nos postos passou de R$ 6,753/L para R$ 6,752/L entre os dias 14 e 20 de novembro. Por outro lado, os preços do etanol seguiram crescendo, acumulando a 16ª semana de alta. No período mais recente, o preço passou de R$ 5,394/L para R$ 5,414/L, incremento de 0,37%.

Com isso, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil foi de 80,2% – uma semana antes, ela era de 79,9%. O país não registrava um indicador tão elevado desde o período de 17 a 23 de abril de 2011, quando foi de 80,9%.

Desta forma, o renovável segue não sendo comercialmente competitivo e fica ainda mais distante do limite estabelecido de 70% do custo da gasolina, faixa em que é considerado vantajoso para os consumidores.

Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

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No entanto, as comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras e o número de localidades pesquisadas muda. Na semana analisada, foram levantados os dados de 350 municípios, uma a menos do que uma semana antes.

Nas usinas paulistas, por sua vez, os preços do hidratado caíram 4,03%, de R$ 3,8099/L para R$ 3,6563/L. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Enquanto isso, nas produtoras goianas, a retração foi de 2,58% e nas mato-grossenses, de 0,63%.

Os mais recentes acontecimentos

Assim como em novembro, a Petrobras declarou que não atenderá integralmente os pedidos das distribuidoras de combustíveis no mês de dezembro devido a uma demanda atípica. Assim, resta ao mercado importar o combustível por um preço mais elevado que o cobrado pela estatal.

Conforme a Ativa Investimentos, a Petrobras criou uma espécie de “desconto” no preço da gasolina no comparativo com o mercado internacional. Segundo a consultoria, o mercado considera a hipótese de que a empresa não busque zerar a defasagem em relação ao patamar internacional, mas mantê-la em um patamar mais baixo para garantir participação de mercado.

Além disso, outros pontos de discussão envolvendo a estatal e suas políticas seguem aquecidos. Na última quarta-feira, 17, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, defendeu que o lucro da Petrobras seja revertido para um fundo de estabilização de preço dos combustíveis. Ao mesmo tempo, ele disse que a empresa deve ser respeitada e não pode ser “enxovalhada”.

Por sua vez, o vice-presidente da república, Hamilton Mourão (PRTB), declarou que a privatização da Petrobras, ideia defendida pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), não é a solução para o problema do aumento do preço dos combustíveis.

Já a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado adiou para o próximo dia 30 a votação do PL 1472/2021, que propõe mudanças nas regras para a variação dos preços dos combustíveis. O fato ocorreu após o relator Jean Paul Prates (PT-RN) propor alterações no texto.

Variações nos estados

Segundo a ANP, entre 14 e 20 de novembro, o preço do etanol subiu na média de 19 estados, caiu em seis e no Distrito Federal e não foi contabilizado no Amapá. A gasolina, por sua vez, aumentou em 17 unidades da federação.

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Em São Paulo, o maior produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve uma redução de 0,06%, custando R$ 5,253/L na média – e seguindo com o menor valor estadual registrado. Além disso, esta foi a única retração dentre os seis estados que mais produzem. Já a gasolina foi vendida a R$ 6,406/L, queda de 0,12%.

Com a menor diminuição para o biocombustível, a relação entre os preços subiu, ficando em 82% ante os 81,9% do período anterior. Desta forma, o índice se afasta ainda mais da marca de 70%, limite da faixa em que o etanol é considerado economicamente favorável ao consumidor. A pesquisa foi feita em 105 cidades paulistas, mesma quantidade da semana anterior.

Já em Goiás, o etanol foi vendido a R$ 5,312/L na média da semana analisada. No período, houve um aumento de 0,61% no preço do biocombustível, enquanto a gasolina apresentou alta de 0,07%, sendo vendida a R$ 7,199/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 73,8%, acima dos 73,4% de uma semana antes, mas a menor dentre todas as unidades da federação. Segundo a ANP, 13 cidades goianas foram consideradas no levantamento, uma a mais do que no período anterior.

Por sua vez, Minas Gerais registrou elevação de 0,11% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 5,544/L, o maior valor dentre os seis grandes estados produtores. A gasolina passou por uma breve redução de 0,01% e foi negociada a R$ 7,023/L, em média. Com isso, o renovável custou o equivalente a 78,9% do preço do combustível fóssil, índice superior ao visto na semana anterior, de 78,8%. No total, 41 municípios mineiros participaram da pesquisa, mesma quantidade da semana anterior.

Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve um incremento de 3,21%, o maior dentre os seis maiores produtores, e foi vendido a R$ 5,505/L. Na semana, a gasolina subiu 0,07%, passando a custar R$ 6,789/L. Desta forma, a relação entre os preços ficou em 81,1%, acima dos 78,6% de uma semana antes. A ANP fez a pesquisa em sete municípios mato-grossenses, mesma quantia do período anterior.

Já em Mato Grosso do Sul, o valor do etanol cresceu 1,27%, para R$ 5,508/L. A gasolina, por sua vez, teve um aumento de 0,03%, ficando em R$ 6,548/L. Assim, o biocombustível custou o equivalente a 84,1% do preço de seu concorrente fóssil, ante os 83,1% de uma semana antes. Somente Campo Grande, Dourados, Ponta Porã e Três Lagoas participaram do levantamento.

Por fim, o Paraná segue apresentando a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país, com o biocombustível custando o equivalente a 84,8% do preço da gasolina. No período, o renovável teve uma elevação de 0,38%, sendo vendido por R$ 5,519/L na média estadual. Já a gasolina teve um incremento de 0,42%, para R$ 6,508/L. No total, 23 cidades foram pesquisadas no estado, uma a mais do que uma semana antes.

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Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 14 e 20 de novembro, 350 cidades foram pesquisadas, uma a menos do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

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