Imagem: REUTERS/Sergio Moraes

O ano de 2021 promete pressionar os preços dos combustíveis no Brasil para cima, diante da expectativa de recuperação da cotação internacional do petróleo. O barril do tipo Brent já acumula uma alta de 9% no ano, mas concorrentes da Petrobras acusam a companhia de segurar os preços dos derivados. Segundo consultorias e analistas consultados pelo Valor, a empresa tem operado abaixo da paridade internacional neste início de 2021.

Na sexta-feira, a Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) enviou ofício ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) acusando a estatal de praticar “preços predatórios”. De acordo com a associação, a defasagem do litro da gasolina é da ordem de R$ 0,40 em relação à paridade internacional, enquanto a do diesel é de R$ 0,30.

O presidente da associação, Sergio Araujo, afirma que a estatal tem praticado preços abaixo da paridade sistematicamente desde meados de 2020 e que a situação levanta dúvidas sobre uma possível interferência do governo na estatal. “As janelas, para os importadores independentes, estão fechadas e não é de hoje. A constatação de que os preços da Petrobras estão muito abaixo da paridade de importação não é só da Abicom. Concordamos que pode haver uma diferença do [cálculo do PPI] entre os agentes, mas não nessa faixa atual. A manutenção desta conduta está, outra vez, afastando os investimentos. Como foi visto no início dos anos 2000”, afirmou.

Questionamentos sobre a autonomia da Petrobras refletem um histórico de pressões de governos sobre os reajustes da empresa. A consultoria Tendências acredita que a demanda global por petróleo dará sinais de recuperação em 2021, ainda que existam incertezas sobre o seu ritmo, e, com isso, pressionará para cima os preços dos derivados. A previsão da consultoria é que o preço do litro da gasolina para o consumidor final aumentará 9,6% este ano – uma alta de 0,47% na inflação, medida pelo IPCA. Já o litro do diesel deve subir 12% (0,02% na inflação).


Se confirmado, a alta reverteria o cenário de 2020. Segundo a empresa de pesquisa de mercado Triad Research, o consumidor pagou, em média, R$ 4,432 pelo litro da gasolina nos postos, em 2020, o que significa uma queda de 1,6% em relação à média de 2019. Já para o diesel S10, a baixa foi de 3,2%. O litro do derivado foi vendido, na bomba, em média, a R$ 3,627 em 2020. A Abicom, por exemplo, toma como base os preços de referência da consultoria internacional S&P Global Platts – que por sua vez se baseia nas despesas para internalização dos combustíveis até o porto, e acrescenta a esses valores os custos com as taxas portuárias e de armazenagem, além das despesas de frete até o ponto de entrega.

A Petrobras esclarece que mantém sua autonomia na precificação de seus produtos e seu compromisso com a prática de preços alinhados com as referências internacionais e que o PPI não é um valor absoluto para todos os agentes.

Além da Abicom, outras consultorias e analistas sugerem que a Petrobras tem mantido seus preços com uma defasagem em relação à paridade internacional. A Datagro estima que, para a gasolina, a diferença hoje é de cerca de 20% em relação ao PPI.

Autor/Veículo: Valor Econômico

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