Preços nos postos: Etanol acumula 13 semanas de aumentos; gasolina entra na quarta

Relação entre os preços dos combustíveis sobe para 77,2% fazendo o renovável ser ainda menos competitivo

Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 24 a 30 de outubro:

paridade 01 mini tabela 24.10a30.10
  1. O preço médio da gasolina cresceu 3,16% nas cidades pesquisadas, enquanto o do etanol aumentou 3,92%
  2. O consumo de etanol é considerado economicamente desvantajoso em todos os estados do país
  3. O valor do hidratado teve aumento nas principais usinas mato-grossenses, paulistas e goianas
  4. Levantamento de preços da ANP foi realizado em 349 municípios, quatro a mais do que na semana anterior

Pela quarta semana consecutiva, a gasolina sofreu aumento na média nacional. Já o etanol, engata a sua 13ª ampliação. Além disso, os crescimentos foram mais evidentes no comparativo com os do período anterior.

Entre os dias 24 e 30 de outubro, na média nacional, o preço da gasolina aumentou 3,16% nos postos, passando de R$ 6,361 por litro para R$ 6,562/L. Enquanto isso, o etanol teve um aumento pouco superior, de 3,92%, saindo de R$ 4,875/L para R$ 5,066/L.

Os aumentos repercutem parcialmente a ampliação de 7% no valor da gasolina nas refinarias, anunciada no último dia 25. Entretanto, esses reflexos não são automáticos.

A relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil foi de 77,2% no período – uma semana antes, ela era de 76,6%. Com isso, o renovável segue não sendo comercialmente vantajoso e está ainda mais distante do limite estabelecido de 70% do custo da gasolina, faixa em que é considerado vantajoso para os consumidores.

Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

paridade 02 percentual estados 24.10a30.10

No entanto, as comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.

Na semana analisada, foram levantados os dados de 349 municípios, quatro a mais do que na anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.

Por sua vez, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, o etanol também passou por aumentos nas usinas dos principais estados produtores.

Nas unidades paulistas, o preço do hidratado subiu 7,85%, passando de R$ 3,5495/L para R$ 3,828/L. Enquanto isso, nas produtoras mato-grossenses, a elevação foi de 4,99% e, nas goianas, de 10,26%.

Os mais recentes acontecimentos

Apesar do aumento no valor da gasolina, ele segue abaixo do preço de importação. Conforme a Ativa Investimentos, há espaço para uma elevação de até 17% no curto prazo. Já a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) calcula uma defasagem de 7%.

De acordo com reportagem publicada na Folha de São Paulo, o preço da gasolina nas refinarias acumula alta de 74% neste ano.

Além disso, a questão do ICMS segue sendo protagonista. Na sexta-feira, 29, os estados aprovaram o congelamento do imposto por 90 dias por meio de uma decisão do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). A intenção é mitigar a alta dos preços dos combustíveis para o consumidor.

Após esta medida, o diretor de comercialização e logística da Petrobras, Cláudio Mastella, afirmou que não pretende congelar preços para não gerar “descompasso” com os preços do mercado internacional, algo que geraria prejuízo à companhia.

Já o presidente da petroleira, Joaquim Silva e Luna, afirmou que a Petrobras é “sensível” às altas nos preços, mas não possível fazer reduções por conta de questões legais.

Anteriormente, o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, havia defendido que não é o ICMS que faz o aumento da gasolina ocorrer, e sim o câmbio. Nesse sentido, o senador Jader Barbalho (MDB-PA) propôs um projeto de lei a fim de proibir a vinculação dos preços dos derivados de petróleo ao dólar e ao mercado internacional de petróleo.

Variações nos estados

Segundo a ANP, entre 24 e 30 de outubro, o preço do etanol subiu na média de 20 estados e no Distrito Federal, caiu em cinco e se manteve estável no Amapá. A gasolina, por sua vez, teve aumento em todas as unidades da federação com exceção do Amazonas.

paridade 03 comparativo estados 24.10a30.10

Em São Paulo, o maior estado produtor e consumidor de etanol do país, o biocombustível teve um incremento de 4,01%, custando R$ 4,876/L na média semanal – ainda assim, o menor valor registrado. Já a gasolina foi vendida a R$ 6,184/L, crescimento de 2,67%.

Com o maior incremento para o biocombustível, a relação entre os preços voltou a subir, ficando em 78,8% ante os 77,8% do período anterior. Desta forma, o índice se afasta ainda mais da marca de 70%, limite da faixa em que o etanol é considerado economicamente favorável ao consumidor. A pesquisa foi feita em 102 cidades paulistas, duas a mais do que na semana anterior.

Já em Goiás, o etanol foi vendido a R$ 5,142/L na média da semana analisada. No período, houve um aumento de 5,07% no preço do biocombustível, enquanto a gasolina apresentou alta de 4,87%, sendo vendida a R$ 7,040/L.

Assim, com a maior elevação dentre os principais estados produtores de etanol, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 73% em Goiás, pouco acima dos 72,9% de uma semana antes e ainda a menor dentre todas as unidades da federação. Segundo a ANP, 13 cidades goianas foram consideradas no levantamento, mesma quantidade do período anterior.

Por sua vez, Minas Gerais registrou aumento de 4,99% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 5,193/L, o maior valor dentre os seis grandes estados produtores. A gasolina também passou por um acréscimo, de 3,54%, e foi negociada a R$ 6,837/L, em média. Com isso, o renovável custou o equivalente a 76% do preço do combustível fóssil, índice acima do visto na semana anterior, de 74,9%. No total, 42 municípios mineiros participaram da pesquisa, dois a mais do que na semana anterior.

Já em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve um incremento de 2,65% e foi vendido a R$ 4,958/L. Já a gasolina teve uma ampliação de 2,62%, passando a custar R$ 6,571/L. Desta forma, a relação entre os preços ficou em 75,5%, acima dos 75,4% de uma semana antes. A ANP fez a pesquisa em sete municípios mato-grossenses, mesma quantia do período anterior.

Em Mato Grosso do Sul, o valor do etanol cresceu 2,44%, para R$ 5,039/L. A gasolina, por sua vez, teve um aumento de 2,47%, ficando em R$ 6,385/L. Assim, o biocombustível permaneceu custando o equivalente a 78,9% do preço de seu concorrente fóssil, mesmo índice de uma semana antes. Somente Campo Grande, Dourados, Ponta Porã e Três Lagoas participaram do levantamento.

Por fim, o Paraná segue apresentando a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país, com o biocombustível custando o equivalente a 81,5% do preço da gasolina. No período, o renovável teve uma elevação de 3,97%, sendo vendido por R$ 5,155/L na média estadual. Já a gasolina teve um incremento de 3,74%, para R$ 6,329/L. No total, 20 cidades foram pesquisadas no estado, uma a menos do que uma semana antes.

paridade 04 tabela completa 24.10a30.10

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 24 e 30 de outubro, 349 cidades foram pesquisadas, quatro a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

Produção de etanol anidro cresce 22,3% no Nordeste, diz NovaBio

Com a safra 2021/22 em andamento, dados compilados pela Associação dos Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio) sinalizam que a moagem de cana no Norte-Nordeste atingiu 28,67 milhões de toneladas no acumulado até 15 de novembro.

Valor do petróleo cai 2% e Petrobras ganha espaço para cortar preços no Brasil

O preço do barril de petróleo tipo brent atingiu os US$ 67,44 nesta quinta-feira, 2, o que representa uma queda de 2,08% em relação aos valores praticados na data anterior.

Abastecer com GNV rende quase o dobro que gasolina e etanol, aponta Abegás

Um levantamento da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) mostra que, atualmente, o Gás Natural Veicular (GNV) tem rendido quase o dobro da gasolina e do etanol.