Preços nos postos: Etanol e gasolina têm aumentos pela terceira semana consecutiva

Relação entre o preço do renovável e o de seu concorrente fóssil volta a superar 70% em Mato Grosso; média nacional é de 75,5%

Os destaques sobre o preço do etanol na semana de 15 a 21 de agosto:

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  1. O preço médio da gasolina nas cidades pesquisadas subiu 1,53%, enquanto o do etanol aumentou 2,23%
  2. O consumo de etanol é considerado economicamente desvantajoso em todos os estados do país
  3. O valor do hidratado teve incremento nas principais usinas mato-grossenses, goianas e paulistas
  4. Levantamento de preços da ANP foi realizado em 343 municípios, dois a mais do que na semana anterior

Uma gasolina perto dos R$ 6 por litro e um etanol acima dos R$ 4/L na média nacional. A tendência instaurada de aumentos dos combustíveis parece estar longe de terminar. Pela terceira semana consecutiva, os preços dos produtos nos postos cresceram na média nacional, inclusive superando o período anterior.

Entre os dias 15 e 21 de agosto, o valor do biocombustível teve um incremento de 2,23%, saindo de R$ 4,399/L para R$ 4,497/L, em média. O fóssil, por sua vez, teve um acréscimo de 1,53%. Na média nacional, o preço saiu de R$ 5,866/L para R$ 5,956/L entre as últimas duas semanas.

Os valores correspondem ao levantamento semanal realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Como a elevação de preço do etanol foi superior à vista pela gasolina, o biocombustível perdeu competitividade pela segunda semana consecutiva. No período analisado, o renovável custou o equivalente a 75,5% do preço de seu correspondente fóssil; na semana anterior, o índice era de 75%.

Com isso, o etanol se distancia ainda mais do limite comercialmente estabelecido de 70% do custo da gasolina, faixa em que é considerado vantajoso para os consumidores. Além disso, esta é a pior relação para o renovável desde o intervalo de 20 a 26 de junho, quando o índice era de 76,5%.

Mato Grosso, único estado em que o etanol era vantajoso, perdeu o posto há duas semanas; no período mais recente, o índice aumentou para 72,9%. A relação foi favorável ao renovável por seis semanas consecutivas no estado.

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Nas usinas, o etanol também passou por aumentos. Nas unidades paulistas, o acréscimo foi de 1,35%, passando de R$ 3,1382/L para R$ 3,1806/L. Enquanto isso, nas produtoras goianas, o incremento foi de 3,15% e nas mato-grossenses, de 1,94%. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP.

Além disso, de acordo com análise da S&P Global Platts, o etanol pode alcançar a marca de R$ 4/L nas usinas em breve (incluindo impostos).

É importante reiterar que as comparações de valores nos postos não são exatamente precisas, já que o levantamento dos preços de combustíveis ainda não está sendo realizado em todas as cidades brasileiras.

Na semana analisada, foram levantados os dados de postos de 343 municípios, dois a mais do que no período anterior. Desta forma, a comparação semanal segue comprometida, uma vez que o número de localidades pesquisadas muda a cada análise.

Variações nos estados

Segundo a ANP, de 15 a 21 de agosto, os preços do etanol nos postos subiram na média de 21 estados, caíram em quatro, não foram apurados no Amapá e não puderam ser comparados no Distrito Federal. A gasolina, por sua vez, teve aumento em 24 unidades da federação.

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Em São Paulo, o maior estado produtor e consumidor de etanol do país, o produto teve um aumento de preço de 2,38%, custando R$ 4,262/L na média semanal – ainda assim, este é o valor estadual médio mais baixo dentre todas as unidades da federação. Já a gasolina foi vendida a R$ 5,626/L para o consumidor paulista, também passando por crescimento de 1,86%.

O aumento mais relevante do renovável no comparativo com o fóssil ocasionou uma piora na relação entre os preços, que ficou em 75,8% ante os 75,4% do período anterior. Com isso, o índice fica ainda mais distante da marca de 70%, limite da faixa em que o etanol é considerado economicamente favorável ao consumidor. A pesquisa foi feita em 102 cidades, mesma quantidade do que na semana anterior.

Já em Goiás, o etanol foi adquirido pelo consumidor a R$ 4,590/L na média da semana analisada. No período, houve uma ampliação de 0,22% no preço do biocombustível, a menor dentre os seis estados que mais produzem. Já a gasolina sofreu um incremento de 0,19%, sendo vendida a R$ 6,274/L.

Desta forma, a relação entre o preço do renovável e o do fóssil ficou em 73,2% no estado, pouco acima dos 73,1% de uma semana antes. Segundo a ANP, 11 cidades foram consideradas no levantamento, duas a menos do que no período anterior.

Por sua vez, Minas Gerais teve um aumento no preço médio do etanol de 2,89%, tendo sido comercializado em R$ 4,564/L. A gasolina também passou por um crescimento, de 2,23%, e foi negociada a R$ 6,185/L, em média. Com isso, o renovável custou o equivalente a 73,8% do preço do fóssil no estado, índice superior ao da semana anterior, quando ele era de 73,3%. No total, 42 municípios mineiros participaram da pesquisa, dois a mais do que na semana anterior.

Em Mato Grosso, o etanol teve aumento de 2,22% e foi comercializado a R$ 4,336/L. Já a gasolina teve um incremento de 0,61%, passando a valer R$ 5,948/L. Desta forma, a relação entre os preços atingiu 72,9% – uma semana antes, o valor era de 71,8%. A ANP fez a pesquisa em sete municípios mato-grossenses, mesma quantidade do que no período anterior.

Em Mato Grosso do Sul, o valor do etanol cresceu 2,15%, sendo vendido a R$ 4,653/L, o maior preço dentre os seis grandes produtores. A gasolina também teve um aumento, de 1,88%, ficando em R$ 5,956/L. Assim, o biocombustível passou a custar o equivalente a 78,1% do preço de seu concorrente fóssil, acima dos 77,9% de uma semana antes. Somente Campo Grande, Corumbá, Dourados e Três Lagoas participaram do levantamento.

Por fim, o Paraná segue apresentando a mais alta relação de preços dentre os seis maiores produtores de etanol do país, com 80,9%; o valor também representa um crescimento semanal do índice. Na semana, o etanol teve um incremento de 3,45%, o mais elevado dentre os seis maiores produtores, sendo vendido por R$ 4,643/L na média estadual. Já a gasolina teve um aumento de 2,03%, ficando em R$ 5,738/L. No total, 22 cidades foram pesquisadas no estado, três a mais do que uma semana antes.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Comparação comprometida

Após mais de dois meses em pausa, o levantamento de preços nos postos voltou a ser realizado semanalmente no final de outubro de 2020. Ainda assim, as comparações entre as análises não são precisas, já que o número de municípios pesquisados vem mudando semanalmente, conforme já era previsto pela ANP.

Entre 15 e 21 de agosto, 343 cidades foram pesquisadas, duas a mais do que no período anterior. O levantamento inclui todas as capitais dos estados brasileiros. Algumas localidades deixaram de participar no comparativo semanal, mudando o número de municípios de alguns estados.

Apesar da progressão no número de cidades, o total está abaixo do objetivo divulgado pela ANP: 459. A agência vem demonstrando dificuldades em cumprir com o esperado em relação ao levantamento desde a pausa, quando tinha uma expectativa de data de retomada que não foi atingida e atrasou mais de um mês.

Com este retorno gradual, os números seguem não correspondendo à média dos postos dos estados como ocorria antes da pausa. A comparação semanal também deve ser observada com cautela, já que a amostra pode aumentar ou diminuir semanalmente.

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