SÃO PAULO – A BR Distribuidora (BRDT3) tem o seu primeiro pregão como empresa privada de forte alta, superando os patamares do final de janeiro de 2019. Às 12h13 (horário de Brasília), os papéis tinham alta de 5,88%, após chegarem a subir 6,23% na máxima do dia. 

A Petrobras (PETR3;PETR4) vendeu uma fatia importante das ações da companhia, em uma operação que movimentou cerca de R$ 8,56 bilhões com a estatal passando a ter 41,25% dos ativos (ante 71,25%). 

Mas a estatal ainda pode se desfazer de mais papéis se o lote suplementar for exercido, reduzindo seu capital para 37,50% em uma operação que pode totalizar R$ 9,63 bilhões. Desta forma, a BR Distribuidora passa a ser uma companhia privada de capital pulverizado. 

Se, para a Petrobras, o anúncio é visto como positivo como parte do plano da estatal  para fazer desinvestimentos de forma a se desalavancar, além de focar seus esforços na exploração do pré-sal, as perspectivas também são positivas para a BR Distribuidora. Porém, há desafios a serem superados. 

“Vale lembrar que a venda de subsidiárias sem aval do Congresso estava travada até junho por decisão do STF, mas foi liberada – agora, começamos a colher os frutos”, aponta a equipe de análise da Levante Ideias de Investimento. 

Após a oferta, a expectativa é de que a BR Distribuidora apresente uma melhoria na sua governança corporativa e aumento na liquidez das ações. 

Além disso, os analistas vão monitorar de perto como se dará a transformação da companhia para ser mais eficiente, o que passará principalmente pela redução de custos.

De acordo com a XP Research, há uma diferença de R$ 20 por metro cúbico das margens da BR Distribuidora em relação às pares privadas Ipiranga (da Ultrapar – UGPA3) e Raízen Combustíveis (joint venture entre Cosan – CSAN3 – e Shell). Contudo, cerca de metade da diferença corresponde a despesas com fundo de pensão, com pouco espaço para mudanças. 

Além disso, Gabriel Fonseca, analista da XP, aponta aguardar maior clareza da companhia em relação a mudanças em sua estratégia comercial para reverter a perda de participação de mercado observada desde 2015.

Em relatório de início de cobertura datado de março, o analista havia destacado que, dada a contínua perda de fatia do mercado da BR Distribuidora nos últimos anos, os efeitos da redução de custos como pessoal e administrativo poderiam ser parcialmente compensados por maiores despesas de marketing e maior competição por preços. 

Desta forma, ainda é preciso aguardar a nova estratégia da companhia, o que leva à recomendação neutra da XP para os papéis com preço-alvo de R$ 30, o que configura um potencial de valorização de 15,34% em relação ao fechamento de segunda-feira. 

Com o mesmo preço-alvo, o Bradesco BBI possui recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para os ativos BRDT3, apontando que a empresa possui a mais alta exposição ao setor doméstico.

Além disso, ela tem, segundo o analista, um potencial de corte de custos em até R$ 15 por metro cúbico por meio da privatização. Isso levaria a um aumento do valor presente líquido por ação para R$ 35 (ou um potencial de 34,56%). 

Porém, na última terça-feira, a casa de análise destacou a preferência pela Ultrapar (UGPA3) dentro do setor de distribuição de combustíveis, principalmente por conta do valuation. Antes, a preferência era pela Cosan (CSAN3). Enquanto os ativos BRDT3 subiram 16% no acumulado do ano e CSAN3 tiveram ganhos de 54%, UGPA3 caiu 22% no período. 

Assim, o cenário que se desenha para a BR Distribuidora é visto como positivo. Porém, os analistas ainda esperam por mais detalhes de como será a estratégia da nova companhia para recomendarem a compra da agora empresa privada com mais convicção. 

Fonte: Infomoney

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