Raízen faz um dos maiores IPOs da história da B3: Vale a pena participar?

(Imagem: Facebook/Raízen)

O pequeno investidor interessado em participar da oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), da Raízen tem até a próxima segunda-feira, 2, para decidir entrar na oferta. A sucroenergética dos grupos Cosan (CSAN3) e Shell estreia na B3 no dia 5, com o ticker RAIZ4.

Líder mundial em biocombustíveis, a Raízen pode levantar R$ 6,7 bilhões no IPO, considerando o ponto médio da faixa indicativa, que vai de R$ 7,40 a R$ 9,60 por papel. O preço das ações será definido no dia 3, após o encerramento do período de reservas para participar da oferta.

Se as ações saírem pelo preço máximo e houver demanda suficiente para venda de lotes extras, o IPO pode captar até R$ 10,4 bilhões, o que colocaria a oferta entre as maiores da história da B3. Até o momento, o maior IPO já registrado na bolsa brasileira foi o do Santander (SANB11), em 2009, que levantou R$ 13,2 bilhões.

A oferta é primária, ou seja, todos os recursos serão encaminhados para o caixa da companhia, sem venda de participação dos sócios Cosan e Shell, que continuarão como controladores da empresa, com cada um detendo em torno de 45% do negócio. A Raízen afirmou que pretende usar os recursos da oferta para construir novas plantas para expandir a produção e as vendas de biocombustíveis.

Todas as 810 milhões de ações ofertadas serão preferenciais, ou seja, não dão direito a voto. Os investidores que quiserem participar do IPO precisam avisar sua corretora sobre quantos papéis gostaria de comprar no IPO e por qual preço. O valor mínimo para participar é de R$ 3 mil, e o máximo, de R$ 1 milhão.

Alta escala
Um consenso entre analistas é que a Raízen é destaque em suas duas áreas de operação: a produção de açúcar e combustíveis renováveis e a distribuição de combustíveis.

Na primeira frente, a Raízen acumula os postos de maior produtora mundial de etanol e de biomassa de cana e maior exportadora global de açúcar. A empresa é ainda a maior geradora de energia elétrica a partir de biomassa do Brasil e a operadora de uma das maiores plantas de biogás no mundo. Já em distribuição, a Raízen opera a segunda maior rede da América do Sul.

“A Raízen tem uma escala na produção de etanol inigualável no mundo. Além disso, ao operar a segunda maior rede de distribuição de combustíveis no Brasil e Argentina, a operação se torna uma das maiores compradoras de combustíveis desses países. Essa situação fornece uma escala diferenciada e um bom poder de negociação junto aos fornecedores”, afirmam os analistas da Suno.

Um IPO ESG
O foco em combustíveis renováveis como etanol e biomassa coloca a Raízen em posição de destaque em companhias que adotam critérios ESG, que avaliam questões ambientais, sociais e de governança.

Analistas apontam ainda que a Raízen é a empresa mais bem posicionada globalmente para explorar o etanol de segunda geração, produzido a partir do rejeito da cana-de-açúcar. O produto emite um volume de gases de efeito estufa 80% menor do que o emitido no ciclo da gasolina brasileira e da norte‐americana, atraindo investidores interessados em sustentabilidade.

“Essa tecnologia é vantajosa porque aumenta a produção de etanol em até 50%, usando a mesma área de cultivo. Além disso, seu preço global tem um prêmio de 70% em relação ao etanol de primeira geração [produzido a partir do melaço da cana], permitindo a captura de margens atrativas por parte da companhia”, afirma a equipe de analistas da Empiricus em relatório sobre a oferta.

Quais são os riscos
Para a Empiricus, o principal risco da Raízen é a execução do ambicioso plano de crescimento da companhia para os próximos anos. “Além disso, acompanharemos o risco de substituição dos combustíveis derivados do petróleo – caso da maioria dos produtos que a empresa opera”, dizem os analistas.

A Suno ressalta ainda a competição acirrada no mercado de distribuição de combustíveis. “A competição no segmento de distribuição pode se tornar mais acirrada, à medida que o processo de privatização das refinarias da Petrobras avance e players privados entrem no setor”, argumentam.

Entrar ou não na oferta?
A Suno considera a empresa “qualificada”, mas afirma que a avaliação não é atrativa. A casa de análise estima que o valor justo por ação da Raízen seria R$ 7,48 e, considerando que o piso da faixa é de R$ 7,40, os analistas não recomendam entrar no IPO.

A Empiricus, por outro lado, afirma que a avaliação está atrativa para quem acredita que a empresa vai entregar o que se propõe. A recomendação é entrar na oferta até o teto da faixa indicativa, de R$ 9,60 reais, com lock‐up, para ter mais chances de alocação na oferta, uma vez que a demanda deve ser alta.

Os analistas da Levante também recomendam entrar na operação até o topo da faixa indicativa, com uso do lock-up. “Reforçamos a recomendação de manter as ações em seu portfólio mirando o longo prazo, de modo que os projetos se materializem e sejam gradualmente incorporados aos resultados e, por consequência, no preço das ações”, dizem em relatório.

Beatriz Quesada

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