Reajustes dos combustíveis pressionam custo do frete

Diário do Comércio – Os aumentos sucessivos dos preços dos combustíveis continuam pressionando fortemente o setor de transportes de cargas gerais e fracionadas País afora. O óleo diesel já acumula alta superior a 50% em 2021 e a gasolina já passa de 73%, pressionando fortemente os custos das transportadoras, que alegam que sem os repasses, os negócios tornam-se inviáveis, e alertam que a conta vai chegar para o consumidor final.

No caso das cargas fracionadas o impacto já é sentido tanto no comércio tradicional quanto no e-commerce. Este último, pelo advento em função das mudanças nos hábitos de consumo das pessoas, desde o início da pandemia, ainda mais. O fundador da UX Delivery, vertical de entregas da UX Group, empresa especializada em logística inteligente, Douglas Oliveira, afirma que a cadeia inteira sofre e que a alta dos combustíveis pode afetar em até 12% no custo de contratação de fretes de compras virtuais nos próximos meses, em que são realizados grandes volumes de vendas nas datas promocionais (Black Friday) e comemorativas (Natal).

“O tempo todo precisamos pensar em maneiras de não repassar os custos para o cliente, sob pena de tornar o negócio inviável. O e-commerce tem o desafio de ser rápido, cômodo e, de preferência, com frete grátis”, avalia.

Mas com os preços dos combustíveis nos patamares mais elevados do passado recente, as empresas precisam fazer malabarismo para tornarem a compra on-line mais atrativa do que a presencial. “O consumidor compra pela internet quando não encontra o produto na loja física ou quando percebe vantagens reais. Obviamente, o frete não pode superar o valor da mercadoria”, diz.

No caso UX Delivery, a alternativa tem sido estratégias para tornar as entregas mais eficientes e reduzir custos totais, como a adoção de ferramentas de tecnologia para aumento da produtividade. “Estamos testando uma tecnologia que viabiliza entregas realizadas por motoboys compartilhados, que atuam em shopping centers e têm tempo ocioso para absorver esse trabalho a custos mais acessíveis”, cita.

Entre os clientes da empresa, estão grandes varejistas, como Carrefour, Estrela10, Via Varejo, Kabum, entre outros.

Na outra ponta, conforme o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logísticas de Minas Gerais (Setcemg), Gladstone Lobato, estão as grandes transportadoras que trabalham com cargas em geral, que representa, inclusive, a maior parte do setor no Estado – como as que transportam minério, cimento, cal, aço e outros produtos primários.

Segundo ele, embora o perfil da carga seja diferente, os impactos da escalada dos combustíveis são os mesmos. “Estamos todos desesperados atrás de aumento do frete, pois a pressão do custo dos combustíveis chega a inviabilizar qualquer negócio. Não temos como segurar esses repasses”, afirma.

Isso porque, conforme o dirigente, além do próprio peso do óleo diesel, há outros custos como preços de caminhões e implementos rodoviários. Para se ter uma ideia, a inflação setorial pelos combustíveis já superou os 35% no acumulado do ano e pelos preços de caminhões e implementos rodoviários, aumentaram mais de 55% no mesmo período.

“Tem que repassar e a conta para o consumidor vai chegar. Se não for pelo transporte, vai ser pela indústria, pela agricultura ou pela construção. É uma esteira e uma hora o preço deságua”, conclui.

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