O Ministério das Finanças avalia cenários para diferentes níveis de demanda, disse Kolychev (Imagem: REUTERS/Stringer)

O Ministério das Finanças do maior exportador de energia do mundo começa a se preparar para a possibilidade de receitas orçamentárias menores no caso de a demanda global por petróleo cair antes do que o esperado.

“O pico do consumo pode já ter passado”, disse o vice-ministro das Finanças, Vladimir Kolychev, em entrevista de Moscou. “Há maior risco no longo prazo” de que as receitas de hidrocarbonetos possam ficar abaixo da perspectiva atual, disse.

Os comentários são uma rara admissão de uma autoridade russa de que o pico já passou para as receitas de energia que impulsionam a economia. O presidente Vladimir Putin disse em outubro que a demanda crescente da Ásia vai sustentar as exportações de energia da Rússia nas próximas décadas, e o Ministério da Economia previu em março que o consumo de petróleo atingirá o pico por volta de 2045.

O Ministério das Finanças avalia cenários para diferentes níveis de demanda, disse Kolychev, um dos arquitetos de um mecanismo que canaliza a receita de impostos sobre energia para um fundo de emergência. Durante anos, Putin prometeu reduzir a dependência da Rússia do setor de energia, mas o segmento ainda responde por 30% das receitas orçamentárias.

A menor mobilidade devido ao coronavírus coincidiu com mais iniciativas para combater a mudança climática neste ano que alteram completamente as perspectivas para a demanda por combustível fóssil.

Em setembro, a BP foi a primeira grande petroleira a admitir que o consumo de petróleo pode nunca mais retornar aos níveis anteriores à pandemia. Desde então, China e EUA, as duas maiores economias do mundo, intensificaram compromissos de transição para a energia limpa.

Na sexta-feira, Putin nomeou Anatoly Chubais, ex-presidente da Rusnano, estatal que investe em projetos de energias renováveis, como seu assessor para desenvolvimento sustentável. Chubais tem sido um dos poucos críticos experientes contra as políticas climáticas da Rússia nos últimos anos e disse que a queda da demanda por petróleo é uma ameaça à segurança nacional.

A Rússia, que gera menos de 1% da energia a partir de fontes renováveis, tem sido lenta para se adaptar à transição e ainda investe em novos projetos de exploração de petróleo no Ártico. Analistas do Centro de Energia Skolkovo, em Moscou, alertaram em maio que o crescimento econômico pode ser limitado a menos de 0,8% ao ano nas próximas duas décadas se o país não se adaptar.

“A economia da Rússia claramente não está pronta para uma mudança em relação aos hidrocarbonetos”, disse Natalia Orlova, economista-chefe do Alfa-Bank, em Moscou. “O governo e as empresas não têm um entendimento claro de que direção a Rússia deve tomar caso se afaste do petróleo.”

Fonte: Bloomberg

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