The Money Office: Petrobras ilude brasileiros para manter monopólio?

A Petrobras pode estar fazendo uma estratégia para manter o seu longevo monopólio do mercado de importação e distribuição

Pode parecer uma heresia alguém ler este título enquanto vê o preço da gasolina subir quase diariamente nos postos brasileiros, mas o fato é que a Petrobras (PETR3; PETR4) tem mantido os preços abaixo do que seria a paridade internacional.

Ontem escrevi aqui, com base em cálculos da Ativa Investimentos, que a estatal, nos últimos reajustes, fez elevações deixando, em média, 14% de potencial altista para trás.

Na visão do economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, ao adicionar esse deságio na conta, discricionário, ou pelo menos pouco transparente, a empresa traz imprevisibilidade para as projeções.

E mais, a Petrobras pode estar fazendo este jogo para manter o seu longevo monopólio do mercado de importação e distribuição. Ou seja, mesmo com o mercado aberto, a estatal sempre tem o melhor preço (talvez 14% menor).

Com a possibilidade de concorrência, leal, aí acusações de lucros bilionários da Petrobras não farão sentido (Imagem: Montagem/ Money Times)

E é justamente de concorrência na importação e distribuição que a Petrobras precisa para se tornar mais eficiente. Assim, naturalmente, o preço no Brasil sofreria uma queda sustentável e duradoura.

Enquanto o combustível for mais barato fora do país, podemos importar de lá, não comprar da Petrobras (ineficiente e usando estratégias de dumping). Com a possibilidade de concorrência, leal, aí acusações de lucros bilionários da Petrobras não farão sentido.

Sem ela (a concorrência), os empresários não vão investir em estocagem e estrutura de distribuição se sempre tiverem medo de dumping. E sem os investimentos privados fica difícil evitar que os preços caiam ainda mais. Ou seja, a política de preços da Petrobras simplesmente não importaria.

Vale lembrar o que o economista da Ativa colocou: “De todo modo, se a empresa está colocando esse deságio na conta, existe a possibilidade de que haja um reajuste negativo de gasolina nos próximos dias”, pontua.

Será interessante observar os “reajustes” dos próximos capítulos.Gustavo Kahil é fundador do Money Times. Antes, foi repórter de O Financista, Editor e colunista de Exame.com, repórter do Brasil Econômico, Invest News e InfoMoney.

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